Você realmente conhece o rio Negro? Veja curiosidades e fatos históricos

Há vários livros, artigos e publicações diversas sobre a história de Rio Negro-PR, mas há poucas publicações sobre o rio Negro, que dá nome ao município.

Nas horas vagas eu gosto de fazer pesquisas para valorizar e preservar a história. Desta vez eu resolvi valorizar o nosso rio Negro, que foi e continua sendo muito importante em vários aspectos, como será possível constatar nesta publicação.

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Atualmente o rio Negro é a principal fonte de abastecimento de água para Rio Negro-PR, Mafra-SC e outros municípios por onde passa. O rio é algo tão essencial, mas eu percebo que é pouco valorizado pelos cidadãos, talvez pelo fato da história dele ser pouco divulgada. É por esta razão que dediquei um tempo para pesquisar e criar esta publicação.

Eu desejo que esta minha publicação chegue a várias pessoas para que a história do rio e sua importância sejam assimiladas ao máximo por todas as gerações. Crianças, adolescentes, adultos e idosos. Todos nós precisamos conhecer melhor o rio Negro para que ele tenha sempre bons cuidados. Preservar o rio é fundamental! Não apenas a história dele, mas ele como um todo. Dependemos dele hoje e dependeremos nos próximos anos.

Eu não sou biológico, geógrafo, geólogo ou especialista em hidrografia. Sou apenas um escritor e pesquisador que gosta de procurar, encontrar e publicar informações importantes para que possamos preservar ao máximo a história do município. Meu objetivo é despertar a curiosidade e interesse de todos pelo assunto.

Esta publicação possui dados técnicos, dados diversos, curiosidades e fatos históricos sobre o rio Negro. Também possui fotos antigas e atuais que ilustram a história do rio. Eu separei por tópicos para facilitar a leitura. Eu gosto de escrever bastante, mas tentei resumir ao máximo para não ficar uma leitura cansativa.

Para descrever os dados técnicos com segurança e credibilidade, eu pedi ajuda ao grande biólogo Júlio César Costin, que foi meu professor de biologia por um breve período no “terceirão noturno” no Colégio Barão de Antonina de Rio Negro, em 2005. Júlio é o fundador da ONG Voz do Rio (S.O.S. rio Negro), que surgiu em 2006 e realiza um belíssimo trabalho em prol da preservação do rio Negro e da natureza em geral em nossa região.

Desejo uma boa leitura e peço humildemente que você compartilhe ao máximo esta pesquisa com os amigos e familiares. Vamos juntos valorizar o nosso rio Negro!

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O FAMOSO RIO NEGRO

Inicialmente preciso lembrar a todos que há outro rio Negro no Brasil. E é bastante famoso!

O rio Negro da Amazônia percorre cerca de 1.700 km e é o maior afluente da margem esquerda do rio Amazonas. Ele banha três países da América do Sul: Colômbia (onde tem suas nascentes), Venezuela e Brasil. É o mais extenso rio de águas negras do mundo.

Como o foco desta pesquisa é o nosso rio Negro aqui do Paraná e Santa Catarina, eu deixo como sugestão de leitura a história do rio Negro da Amazônia e suas curiosidades. Principalmente sobre o “encontro das águas”, que é um fenômeno incrível! Brevemente: nas proximidades de Manaus, o famoso rio Negro encontra-se com o rio Solimões, formando o “encontro das águas”, onde as águas barrentas do rio Solimões não se misturam com as águas do rio Negro.

No site do Instituto Eco Brasil há bastante informação.

Encontro das águas dos rios Negro e Solimões, em Manaus. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

É na sola da bota…! Você se lembra da dupla sertaneja “Rio Negro & Solimões”? A dupla formada pelos cantores José Divino Neves e Luiz Felizardo homenageia o encontro dos dois rios. O nome da dupla quer dizer que “brasileiros são fortes”, pois a inspiração direta veio do rio Amazonas e seus dois afluentes principais: rio Negro e rio Solimões.

Mas o nosso rio Negro também é importante! Durante a leitura você perceberá que ele foi importante no passado e continua sendo em diversos aspectos. Por isso temos que realmente conhecê-lo para preservarmos ao máximo.

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RIO UNA

O nome “original” do nosso rio é Una, que significa “preto” ou “negro” no tupi-guarani. Desta forma, o nome foi transformado em rio Negro.

Curiosidade: atualmente existe o “rio Una” no Estado de São Paulo e no Pernambuco. Não transformaram o nome igual ocorreu por aqui. E como já mencionado, no Brasil há o “rio Negro” que é o maior afluente da margem esquerda do rio Amazonas. O rio Amazonas é o maior rio em volume de água do mundo e o segundo maior em extensão territorial. O maior em território é o rio Nilo.

Outra curiosidade: no dia 15 de novembro de 1996 foi instituído em Rio Negro-PR o “Dia do rio Negro” durante a celebração referente aos 100 anos da Ponte Metálica.

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HIDROGRAFIA

O município de Rio Negro faz parte do complexo hidrográfico do rio Paraná, que é o oitavo maior rio do mundo em extensão (4.300 km) e o maior da América do Sul depois do rio Amazonas. O rio Paraná tem os rios Tietê, Paranapanema e Iguaçu como seus principais afluentes, todos na margem esquerda. O nosso rio Negro é um dos principais afluentes do rio Iguaçu, que é o maior do Estado do Paraná.

De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA), no Paraná a parte norte da bacia do rio Negro pertence à bacia do Alto Iguaçu, enquanto que em Santa Catarina, a parte sul faz parte da bacia da Vertente do Interior, especificamente ao Planalto de Canoinhas.

Para entender: Bacia hidrográfica é a área ou região de drenagem de um rio principal e seus afluentes. É a porção do espaço em que as águas das chuvas, das montanhas, subterrâneas ou de outros rios escoam em direção a um determinado curso d’água, abastecendo-o. Então, quando caminhamos pelas ruas ou em uma mata, por exemplo, estamos andando necessariamente sobre a área de uma bacia hidrográfica, pois as águas que eventualmente escoam nesses locais tendem a se direcionar para um rio.

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NASCENTE DO RIO NEGRO

O rio Negro nasce em uma fazenda localizada na Serra do Quiriri, entre Campo Alegre-SC e Garuva-PR (borda oeste da Serra do Mar). Está a menos de 20 quilômetros do oceano Atlântico.

Nascente do rio Negro (Foto: ONG Voz do Rio)

O local fica bem no topo da serra. Tem belas paisagens com muitas montanhas. Neste lugar é possível cruzar o rio Negro sem molhar os pés, passando por cima das pedras. A água é bem limpinha e transparente. O acesso não é fácil e a propriedade é particular, mas com agendamento prévio é possível visitar.

A nascente do rio Negro encontra-se numa altitude aproximada de 1.250 metros. À medida que o rio segue a jusante (sentido da correnteza num curso de água), ele alcança a altitude aproximada de 800 metros.

Para fins de comparação: o município de Rio Negro apresenta altitudes variando entre 760 e 890 metros, com as áreas mais baixas localizadas próximas às margens dos rios Negro e Passa Três, o que favorece as ocorrências de inundações, como você poderá ler logo mais.

Localização da nascente e foz do rio Negro

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FOZ DO RIO NEGRO

Para entender: Foz é o local onde uma corrente de água, como um rio, deságua. Sendo assim, um rio pode ter como foz outro rio, um grande lago, uma lagoa, um mar ou o oceano.

A foz do nosso rio Negro é o rio Iguaçu, entre São Mateus do Sul-PR e Canoinhas-SC. É onde termina o rio Negro, que é um dos principais afluentes deste importante e famoso rio que gera as Cataratas do Iguaçu.

De acordo com o biólogo Júlio César Costin, quando o rio Negro aflui no Iguaçu, ambos se equivalem no volume de água, entretanto o rio Iguaçu é um pouco mais baixo que o Negro, portanto o rio Negro é de fato afluente do Iguaçu. Visualmente os dois rios são parecidos, como é possível verificar na imagem de satélite do Google Maps.

Você acha as Cataratas do Iguaçu um lugar lindo e maravilhoso?

De certa forma o nosso rio Negro faz parte deste belo lugar. De certa forma as águas do rio Negro passam por lá. Misturadas com as águas do rio Iguaçu, mas chegam! Para imaginar: se alguém lançar um “barquinho de papel” aqui no rio Negro, há chance dele chegar até as cataratas. (Mas não façam isso, pois lançar objetos no rio não é uma atitude legal).

O rio Iguaçu possui 1.320 km de comprimento e é um dos principais cursos de água do Estado do Paraná. É o maior rio do Estado. Ele nasce na região leste da cidade de Curitiba e corre na direção oeste do Estado até desaguar nas águas do rio Paraná, na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Pouco antes ele gera as Cataratas do Iguaçu, que são as maiores quedas em volume de água do planeta.

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TAMANHO DO RIO NEGRO

A bacia hidrográfica do rio Negro possui uma área de 9.768 km², abrangendo 22 municípios localizados entre os Estado do Paraná e Santa Catarina.

O rio Negro possui aproximadamente 200 km de comprimento somando seu alto e médio curso. O canal do rio Negro apresenta grande sinuosidade (muitas curvas), característica que pode ser notada pelo seu comprimento em relação à distância entre a nascente e o final do seu médio curso, com o comprimento de 196 km de canal fluvial em uma distância retilínea de 110 km. É legal ver no Google Maps o rio e seu “zigue-zague” ao logo de todo o seu percurso.

A largura aproximada do rio Negro próximo às pontes do Centro de Rio Negro e Mafra é de 49 metros.

Veja no mapa: nas horas livres vale a pena visualizar o rio Negro no mapa com imagens de satélites. Você pode abrir o Google Maps pelo celular ou no computador (em tela grande é sempre melhor). Vale a pena dedicar um tempo e “viajar” através da Internet para conhecer os lugares que tem a presença do nosso amado rio:

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A COR DO RIO NEGRO

O rio Negro recebeu este nome por causa de sua cor. Como já mencionado no início desta publicação, “Una” (nome original do rio) significa “preto” ou “negro” no tupi-guarani.

Segundo informações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), a cor de uma água é consequência de substâncias dissolvidas. Na maioria dos casos estas substâncias são de natureza orgânica proveniente de matéria vegetal (folhas) em decomposição, e/ou pela presença de partículas inorgânicas (ferro, manganês, etc.) finamente divididas e dispersas na água.

A cor é um parâmetro de aspecto estético de aceitação ou rejeição do produto. Pela Portaria vigente do Ministério da Saúde o valor máximo permitido para a cor aparente na rede de distribuição é de 15 uH (Unidade de Hazen). No rio Negro a média dos últimos 30 resultados é 2,67 uH (com base nos dados da consulta que eu realizei no dia 14/04/2022).

Portanto, a cor da água do rio Negro está dentro do aceitável para que possa haver a captação e tratamento para o consumo humano. Além disso, com base na explicação da Sanepar, a cor escura natural do rio Negro não indica que ele é um rio poluído, como muitos alegam. Logo mais eu citarei sobre a “saúde” do rio Negro.

Importante: temos que saber que o rio Negro possui uma cor escura natural, mas manchas “estranhas” que surgem do nada podem sim indicar uma eventual poluição causada por alguma ação humana. Temos que ficar sempre atentos e alertar as autoridades e órgãos ambientais sempre que percebermos algo diferente no rio Negro ou em qualquer outro.

Antes e depois: o recurso abaixo é bem legal! Ao arrastar para a esquerda ou direita você poderá ver o antes e depois do rio na região onde era o porto. É possível ver o quanto de mata ciliar o rio ganhou nas últimas décadas.

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AFLUENTES DO RIO NEGRO

Para entender: Afluente é o curso d’água que deságua em um rio principal ou em um lago. São os afluentes que alimentam o rio principal. Neste caso o rio Negro é o principal e os rios citados a seguir são os afluentes.

Como já citado, o rio Negro é um dos principais afluentes da margem esquerda do rio Iguaçu, o maior rio do Paraná que desagua nas Cataratas do Iguaçu.

O rio Negro tem como afluentes principais pela margem esquerda:

  • Rio Bateias (Campo Alegre-SC)
  • Rio Preto (Rio Negrinho-SC)
  • Rio Negrinho (São Bento do Sul-SC)
  • Rio São Bento (São Bento do Sul-SC)
  • Rio São Lourenço (Itaiópolis-SC)
  • Rio da Lança (Itaiópolis-SC)
  • Rio Canoinhas (Serra do Espigão-SC)

Pela margem direita tem como afluentes principais:

  • Rio Passa Três (Rio Negro-PR)
  • Rio da Várzea (Tijucas do Sul-PR)
  • Rio Piên

Curiosidade: O rio Passa Três é um rio municipal de total responsabilidade de Rio Negro-PR, pois nasce e termina aqui. Possui 33 km de extensão e é considerado um rio de planície (são rios que apresentam um curso mais regular, haja vista o relevo menos acentuado. Por isso, o fluxo de suas áreas não é rápido).

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IMPORTÂNCIA DO RIO NEGRO

O rio Negro tem grande importância para os municípios de Rio Negro e Mafra e para os estados do Paraná e Santa Catarina. Podemos considerar como exemplos:

  • O rio Negro faz a divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina. O dia 20 de outubro de 1916 marca o fim da Guerra do Contestado. Em 25 de agosto do ano seguinte, a Lei nº 1.147 de Santa Catarina demarcou os novos limites. No dia 08 de setembro de 1917 surgiu o município de Mafra-SC.
  • O rio Negro é a principal fonte de abastecimento de água para a população de Rio Negro, Mafra e outros municípios por onde passa.
  • O porto criado no rio Negro no século XIX, em Rio Negro-PR, foi importante no passado para a economia e para o lazer com a navegação. Havia transporte de erva-mate, madeira e outras mercadorias pequenas, além de passeios com os barcos e lanchas.
  • O rio Negro também é fonte de areia e argila para a construção civil e indústria cerâmica.

Navegação em 1914

Sobre a erva-mate: a economia ervateira em diferentes épocas serviu como meio de vida para a população mais pobre, não só no Paraná como em outras regiões do país. A erva-mate foi responsável por um dos mais longos e produtivos ciclos econômicos da história paranaense e teve seu apogeu no século XIX.

O Paraná era 5ª Comarca da Província de São Paulo, da qual dependia e sofria influência nos negócios internos. Com o advento do ciclo do mate, surgiu uma atividade com técnicas que os paulistas desconheciam, fugindo-lhes das mãos o controle da florescente indústria. O mate foi o grande argumento de ordem econômica e o principal responsável pela emancipação política do Paraná, caracterizada a 19 de dezembro de 1853.

Portanto, de certa forma o município de Rio Negro, através de seu porto no rio Negro, colaborou para a realização da emancipação política do Paraná, já que fez parte de um dos principais argumentos usados na época para o ato político.

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LLOYD PARANAENSE S.A.

Em 1929 foi fundada em Rio Negro a agência da Lloyd Paranaense S.A, funcionando no imóvel situado na Rua Riachuelo que existe até os dias atuais, mostrando resistência a diversas enchentes que a atingiram. A Lloyd Paranaense é um ícone da história da navegação fluvial da nossa região e do comércio da erva-mate.

A sociedade Lloyd Paranaense S.A. foi criada no dia 6 de abril de 1915 em Curitiba. Era composta por várias empresas do ramo de transporte que possuíam embarcações a vapor e lanchas. O fim da Lloyd Paranaense S.A. ocorreu em 1953 com o surgimento de mais estradas e outras formas de transporte mais seguras.

Prédio onde funcionou a agência da Lloyd Paranaense S.A em Rio Negro

Antigo prédio da agência Lloyd em Rio Negro nos dias atuais

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MOVIMENTAÇÃO NO PORTO DO RIO NEGRO

No dia 04 de fevereiro de 1883 foi realizada a viagem inaugural de navegação motorizada nos rios Negro e Iguaçu. Dela participou o Governador provincial do Paraná, Carlos Augusto de Carvalho, o Deputado Provincial Paranaense Manoel Marcondes de Sá, o Desembargador Conrado Erichsen e mais 13 pessoas. A viagem ocorreu entre Rio Negro e União da Vitória-PR, a bordo do vapor Cruzeiro, de propriedade do comerciante e fazendeiro Amazonas de Araújo Marcondes. O barco chegara a Rio Negro no mesmo dia.

Por muitos anos foi essa a via de comunicação usada para transporte de carga e passageiros. Com a navegação como um de seus principais meios de transporte, devido às vantagens logísticas que possuía e ainda a existência de um porto nas margens do rio Negro, até a primeira metade do século XX, muitas pessoas e cargas foram conduzidas em barcos e pequenos navios por essas águas pelas mãos habilidosas de barqueiros. Só desapareceu quando a concorrência da estrada de ferro e das estradas de rodagem, estas sempre melhoradas e em maior número a par das exigências na Capitania dos Portos, e mil outras formalidades burocráticas determinaram a morte da ligação fluvial entre todos os lugares à margem dos rios referidos.

Em 30 de janeiro de 1884 foi aprovado o contrato entre o governo paranaense e o comerciante e fazendeiro Amazonas de Araújo Marcondes, destinado à navegação nos rios Negro, Iguaçu e seus afluentes. Em 04 de abril do mesmo ano, o governo imperial aprovou uma tabela de fretes e passagem do vapor Cruzeiro, o primeiro a navegar nos rios Iguaçu, Negro e seus afluentes.

Navegação em 1935

No auge da navegação fluvial, o porto de Rio Negro recebia entre 10 a 15 barcos ou lanchas por dia, que vinham para Rio Negro fretados com mercadorias e produtos (erva-mate, madeira, ferragens, entre outros). As embarcações vinham de Porto União, União da Vitória e São Mateus do Sul.

Curiosidades sobre as embarcações: eu já li alguns relatos de moradores que viveram ou que tiveram familiares que viveram na época das embarcações. De modo geral as lembranças são semelhantes e então eu resumi:

  • As pessoas paravam na Ponte Metálica para olhar as lanchas ancoradas e o movimento dos homens carregando ou descarregando produtos das mesmas.

  • Havia passeios que faziam aos domingos com as embarcações, quando havia lanchas ou barcos a vapor atracados no cais disponíveis para tais passeios. Era uma “festa” poder participar dos passeios.

  • No tempo do movimento no cais do porto era marcante o apito das embarcações que anunciavam as chegadas ou partidas. Sempre havia público apreciando e acenando.

Público na ponte observando a movimentação no rio

  • Muitas pessoas deste tempo afirmavam que conheciam o som do apito de cada embarcação. Sabia qual embarcação chegou e quem era seu respectivo Comandante. Havia certo padrão e código nos apitos para a chegada e para a partida.

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NAVEGAÇÃO NO RIO NEGRO NOS DIAS ATUAIS?

Atualmente podemos ver pequenos barcos e lanchas no rio Negro, seja do Corpo de Bombeiros, pescadores ou cidadãos que gostam de passear nas águas do rio. Para fins turísticos não há a atração como já houve no passado. Não há passeios de barcos periódicos para a população.

Passeio de lancha em 1940

Mas, penso eu, isso é algo que poderia ter e seria uma grande atração turística para Rio Negro e Mafra. Seria uma grande atração para nós riomafrenses e para turistas de várias cidades, assim como ocorre com as viagens de trem realizadas por aqui de tempo em tempo. Passear de barco pelo rio Negro é algo que traz boas lembranças a muitas pessoas saudosistas.

Obviamente, para que uma embarcação grande possa navegar no rio Negro é preciso que haja condições para isso, que vai desde o nível do rio até licenças ambientais, certamente. Mesmo na época da navegação intensa no rio Negro, no final do século XIX e início do século XX, não era sempre que as embarcações conseguiam navegar por aqui. O rio tinha que oferecer as condições favoráveis à navegação. Temos períodos de seca e de cheias e é algo imprevisível nos dias atuais.

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ENCHENTES

Eu costumo usar a palavra enchente para descrever a triste situação que o rio Negro já ficou em diversas épocas, mas a palavra correta é inundação. Mas no popular todos falam enchente e não deixa de estar correto também. A imagem ilustrativa abaixo mostra os dois conceitos.

Para entender: a enchente ocorre quando o rio tem o seu volume de água aumentado, mas ainda dentro do leito menor ou dos limites da calha principal do rio. Já a inundação ocorre quando o volume de água de um rio supera sua calha principal e ocorre um transbordamento. No rio Negro o limite entre enchente e inundação é de 6,90 metros.

Esta cota de 6,90 metros de lâmina de água do rio Negro foi estabelecida como sendo o limite entre enchente e inundação no município de Rio Negro desta forma: o primeiro ponto de inundação, na Rua Francisca de Almeida, é alcançado quando o rio Negro alcança a marca de 6,90 metros de lâmina e suas águas extravasam o seu canal avançando sobre a cidade.

Rafael Koene, Mestre em Geografia, em seu grandioso trabalho de “Análise do Processo de Inundação da Cidade de Rio Negro/PR”, nos fornece informações técnicas preciosas sobre as inundações que já ocorreram com o rio Negro por aqui.

Enchente de 1983

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POR QUE OCORREM AS “ENCHENTES”?

Porque choveu bastante, ora pois!”. Esta é a resposta simples e direta, mas é importante entender os motivos técnicos.

De modo geral, para que ocorram inundações há condicionantes naturais e antrópicos. Como ações naturais há as formas de relevo, drenagem, frequência das chuvas, presença ou ausência de cobertura vegetal. Já as ações antrópicas são as atitudes humanas, como jogar lixo perto dos cursos d’água, obras como canalização de rios e ocupação irregular nas planícies e margens de cursos d’água.

Enchente de 1983

Para compreender bem o processo de inundação em um rio é preciso analisar três elementos principais relacionados com o aumento do volume de água: a precipitação, a vazão e a cota do rio. A água que chega até o rio, oriunda da precipitação, é o que “alimenta” o processo de inundação que tem como resposta um aumento na vazão do rio e a ascensão das cotas de lâmina de água.

Réguas de medição do rio Negro

As inundações que atingem a cidade de Rio Negro são condicionadas por três variáveis principais: concentração e quantidade de chuvas; características fisiográficas da bacia hidrográfica do alto e médio cursos do rio Negro, principalmente o relevo; e localização da área urbana de Rio Negro, que é bem próxima ao rio.

Com a análise das vazões e médias diárias de precipitação na bacia hidrográfica do alto e médio cursos do rio Negro durante o processo de inundação, o Mestre em Geografia Rafael Koene conseguiu estabelecer que, em média, um acumulado de 280 mm de chuva em 15 dias é suficiente para causar uma inundação na cidade de Rio Negro. Então, obviamente precisa chover bastante, mas as demais variáveis fazem a diferença também.

Enchente de 1983

Há muitas informações técnicas que eu não saberia descrever aqui, pois não sou especialista na área. Mas vale muito a pena pesquisar, ler artigos, sites e tudo mais sobre o assunto. São informações que aprendemos na escola, mas esquecemos com o tempo. E são importantes! O rio é algo importante para todos nós e por isso vale muito a pena compreendermos tudo que envolve ele.

Sou muito grato aos profissionais Júlio César Costin e Rafael Koene por colaborarem com todas estas informações técnicas.

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É POSSÍVEL ACABAR COM AS ENCHENTES?

O problema das enchentes é crônico em Rio Negro, Mafra e região. As inundações, além de danos materiais, podem provocar doenças, como a leptospirose. Portanto, trata-se também de uma questão de saúde pública.

Quando há enchentes em Rio Negro e Mafra é comum surgir comentários como estes nas redes sociais: “Para acabar com as enchentes é só fazer o desassoreamento do rio” e “é só transferir as famílias que moram perto do rio para outro lugar”.

Enchente de 1983

Ambos os comentários são realistas. São ações possíveis, porém não tão fáceis de aplicar. Além disso, seriam medidas paliativas (que melhoram ou aliviam momentaneamente, mas não são capazes de resolver o problema definitivamente). Como citado anteriormente, a enchente ocorre no rio Negro por diversas razões técnicas. Portanto, quaisquer medidas adotadas serão apenas para minimizar a situação.

Segundo especialistas, a melhor forma de lidar com o problema das enchentes, na verdade, é realizar uma devida prevenção, que pode ocorrer por meio de medidas como estas:

  • Construção de sistemas eficientes de drenagem
  • Desocupação de áreas de risco
  • Criação de reservas florestais nas margens dos rios
  • Diminuição dos índices de poluição e geração de lixo
  • Planejamento urbano mais consistente

Com a enchente de 1955 surgiu a Vila São Judas Tadeu em Rio Negro, composta por famílias que viviam próximas ao rio Negro. Na época foi uma excelente ação de desocupação de área de risco. Porém, de lá pra cá muitas residências continuaram sendo construídas próximas ao rio em Rio Negro e Mafra e com isso sofrem as consequências da enchente. Programas de habitação do Governo Federal focadas nessas famílias poderiam amenizar a situação? Talvez sim, se as famílias aceitarem a mudança, claro. O processo de desocupação de área de risco envolve muita coisa e por isso não é tão simples como parece.

Enchente de 2019

A ideia do desassoreamento do leito dos rios é bastante interessante para amenizar as enchentes ou alagamentos. A ação de dragagem ocorre quando os sedimentos existentes no fundo dos cursos d’água são removidos, aumentando a profundidade do rio.

Em 2016, por exemplo, foi realizado o desassoreamento do rio Bandeira em Mafra e gerou resultados positivos para a população que sofria com alagamentos na região da Vila Ivete. O projeto de desassoreamento teve por finalidade a recomposição das estruturas físicas do rio Bandeira, regularização do seu leito, além de reposição da vegetação das margens, respondendo dessa forma aos anseios da comunidade. O leito do rio que estava assoreado por material carregado das ruas (pedras, pedregulhos, etc.) foi rebaixado entre 1,5 a 2 metros. O material retirado foi depositado nas margens, que, posteriormente recebeu o reflorestamento.

Em maio de 2014 uma comitiva rionegrense esteve na Universidade Positivo em Curitiba para firmar parceria na realização de um projeto para viabilizar a drenagem ou dragagem do rio Negro. Durante a reunião foram discutidos diversos pontos para a atuação da Secretaria do Estado, da Universidade Positivo e o município de Rio Negro para formar parcerias e convênios  para a realização do projeto, para a execução do desassoreamento e outras ações preventivas do rio Negro.

Obras assim precisam ser licenciadas por órgãos competentes e quase sempre emperram na burocracia, infelizmente. Principalmente em rios maiores, como é o caso do Negro, que envolve dois estados e diversas cidades.

A reversão do rio Negro também poderia ajudar no controle das enchentes. Pelo menos na teoria. Logo mais você poderá ler a respeito desta ideia que para muitos parece ser maluca.

Rio Negro nos anos 90

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ENCHENTES HISTÓRICAS

No meu livro Rio Negro 150 Anos eu relacionei algumas enchentes históricas ocorridas em Rio Negro-PR. Também há várias fotos históricas. Tristes, mas históricas. Aqui vou descrever algumas para não ficar muito longa a publicação:

Janeiro e fevereiro de 1888 – Houve uma grande enchente com o rio atingindo nível nunca anotado até então.

1891 – Rio Negro possuía um considerável número de colonos poloneses que ficaram alojados primeiramente num barracão às margens do Rio Negro, onde viviam com imigrantes de outras origens em difíceis condições. Foram surpreendidos por uma enchente avassaladora, que causou a morte de vários colonos. Além disso, as epidemias causadas pós-enchente mataram mais de trezentos imigrantes poloneses. Neste ano não havia quaisquer das pontes hoje existentes sobre o rio. A travessia ainda era feita pela balsa. A Ponte Metálica foi inaugurada em 22 de novembro de 1896.

1898, 1911, 1913, 1925, 1946 – Nestas datas houve enchente também, mas sem muitas referências históricas.

1955 – Criada pelo Batalhão Mauá a Vila São Judas Tadeu após uma grande enchente. E após a enchente de 1983, a Cruz Vermelha construiu mais casas e mais famílias surgiram.

Julho de 1983 – Rio Negro viveu a maior enchente registrada de sua história, com o rio Negro atingindo 14,57 metros acima de seu nível normal, o que causou a inundação de inúmeras ruas, atingindo alguns bairros em quase sua totalidade.

Enchente de 1983

A ação da natureza destruiu casas e edificações, prejudicando a ligação entre Rio Negro e Mafra pelo alagamento do acesso e consequente interdição das pontes Dr. Diniz Assis Henning e Rodrigo Ajace, além de bloquear trechos da BR-116 a menos de dois quilômetros depois da ponte sobre a rodovia.

Marcação do nível máximo da enchente de 1983. O topo desta marcação é a altura que a água chegou durante a enchente. Impressionante!

1992 – As águas do rio Negro chegaram a 14,42 metros acima de seu nível normal, deixando cerca de oito mil desabrigados com a enchente. Os desabrigados foram alojados em 24 diferentes abrigos, entre salões paroquiais, ginásios, clubes, barracões de empresas e até vagões de trens. Houve medidas de racionamento de alimentos, remédios e sérios problemas de abastecimento de água potável e inúmeros prejuízos, contabilizados à época em cerca de cinco bilhões de cruzeiros.

Setembro de 2009 – Após mais de uma década, Rio Negro e Mafra sofrem com o “fantasma” das enchentes. No total foram 480 pessoas desalojadas, sendo que 19 famílias foram abrigadas no “Ginásio XV de Novembro”. Aproximadamente 130 residências foram atingidas pela enchente no município de Rio Negro. O nível do rio Negro atingiu 9,22 metros.

Janeiro de 2010 – O nível do rio Negro chegou a atingir 8,20 metros, gerando uma nova enchente e desalojando várias famílias em Rio Negro.

Abril de 2010 – Novamente a enchente atinge Rio Negro e região com o nível do rio Negro chegando a 10,50 metros acima de seu leito normal. Diversos bairros sofreram com as águas. Mais de 1.200 pessoas foram atingidas em Rio Negro.

Enchente de 2010

Setembro de 2011 – O nível do rio Negro atingiu 9,42 metros.

Junho de 2013 – O nível do rio Negro chegou a 9,82 metros.

11 de junho de 2014 – A enchente de 2014 é considerada a terceira maior da história (desde que foi possível realizar a medição do nível do rio). Às 20h do dia 11 de junho de 2014 o nível do rio Negro registrado foi de 13,62 metros acima do seu nível normal. Em 1992 o nível registrado foi de 14,42 metros e em 1983 foi de 14,57.

Enchente de 2014

01 de junho de 2019 – A enchente voltou a aterrorizar Rio Negro e região. As fortes chuvas começaram na madrugada do dia 29 de maio. O nível do rio chegou a 9,42 metros. Após uma semana as águas do rio Negro baixaram. Como sempre ocorreu nessas situações, diversas pessoas ficaram desabrigadas. Rio Negro e Mafra-SC estimaram um prejuízo de quase R$ 30 milhões.

Curiosidade sobre as cheias do rio: engana-se quem pensa que se chover bastante a ponto de haver uma enchente, não terá falta de água nas torneiras do município, afinal terá “água de sobra” no rio. Mas até pouco tempo atrás muitas pessoas ficavam sem o serviço de abastecimento de água potável nas residências quando havia uma enchente.

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FALTA DE ÁGUA CAUSADA PELA ENCHENTE? COMO ASSIM?

As fortes chuvas podem causar sim dificuldades e uma eventual paralisação no processo de captação e abastecimento de água potável. Isso porque a cheia do rio pode afetar o funcionamento das máquinas responsáveis pela captação da água. Atualmente há em nossas cidades uma tecnologia que garante o abastecimento de água quando o rio está cheio.

Rio Negro conta atualmente com uma tecnologia de captação de água submersa chamada “Bomba Anfíbia”, que trabalha com motor elétrico especial que não é danificado pela infiltração da água. A bomba, implantada na estação de captação em 2003, também pode operar em ambiente seco e fechado, dispensando ventilação. Após a instalação da Bomba Anfíbia, Rio Negro já enfrentou várias enchentes e em nenhuma das situações foi necessário interromper a captação, o tratamento e o abastecimento de água à população.

Em outras épocas, quando havia enchentes o município ficava sem o abastecimento de água nas residências. Nas enchentes de 1983 e 1992, por exemplo, quando a tecnologia ainda não era aplicada, o desabastecimento afetou todo o município.

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TRAGÉDIAS NO RIO NEGRO

Além das enchentes e da poluição causada pela ação humana que é uma grande tragédia e ocorre com certa frequência, a história nos mostra algumas tragédias que ocorreram no rio Negro (na região de Rio Negro e Mafra). Muitas pessoas já morreram afogadas nas águas enquanto estavam se divertindo. Muitas outras cometeram suicídio ao pular da ponte. Infelizmente de tempo em tempo há ocorrências desta natureza.

Um exemplo de acidente que abalou a cidade ocorreu em 1975. Foi um ano triste para o 5º Regimento de Carros de Combate (5º RCC) e para a população rionegrense em geral. Em novembro daquele ano, durante uma demonstração de travessia do rio Negro, um acidente com o carro anfíbio M-113 provocou a morte do Cabo José Antonio Holsbach e de nove alunos do NPOR do 5º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado.

Atividades do 5º RCC no rio Negro

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DIVERSÕES NO RIO NEGRO

Vamos falar de coisa boa? No passado o rio Negro era uma grande atração para a diversão da população. Não apenas o rio Negro, mas seus afluentes também, como o Rio da Lança e o Passa Três. Havia as “prainhas” e até cachoeiras onde as pessoas se reuniam para se divertir.

Prainha no rio Negro

No porto no rio Negro havia um trampolim, pois ali ficava o canal para as lanchas atracarem no cais. Havia passeio de barco, lancha e caiaque, piquenique na “ilha” do rio Negro, banhos no rio.

Nos anos 90 foram realizadas divertidas competições de “Boia Cross” no rio Negro. Enfim… Há vários relatos de diversões no rio Negro.

Bóia Cross em 1996 no rio Negro

As fotos históricas nos mostram esses momentos alegres, que claramente diminuíram com o tempo. Seja por causa do surgimento de outras formas de diversão, seja por causa do avanço da tecnologia que afasta as pessoas da “vida real”, seja por causa da insegurança, entre vários outros possíveis motivos. Mas a história deve ser preservada e por isso coloquei nesta publicação algumas fotos históricas para relembrarmos esses momentos felizes.

E, claro, o rio Negro proporciona boas pescarias. Meu saudoso pai Acir Lisboa costumava pescar no rio Negro e no rio Passa Três. Era uma das suas diversões, depois do futebol. Ele sempre voltava pra casa com uma boa quantidade de peixes.

Eu não sou especialista em pescaria, mas de acordo com informações que encontrei na pesquisa, o rio Negro possui grande variedade de peixes, como lambaris, bagres, mandis, acarás, cascudos, curimbas, saicangas, traíras e carpas, sendo que estas chegam a pesar mais de 20 quilos. Mas essa última parte talvez seja conversa de pescador…

Bóia Cross em 1992 no rio Negro

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O RIO NEGRO PODE MORRER UM DIA?

Certamente muitas pessoas já pensaram sobre isso algum dia. Eu fiz esta pergunta ao biólogo Júlio César Costin. Segundo ele, em curto prazo o rio não deve “morrer”, mas em longo prazo, daqui 50 anos ou mais, se ocorrerem de forma irresponsáveis as derivações, usos consuntivos, assoreamento e aumento da demanda para o abastecimento da população, a diminuição do volume normal do rio pode levar a alterações ambientais graves.

Portanto, é importante que todos nós tenhamos boas atitudes desde já para evitar que as futuras gerações sofram com uma eventual ausência do rio Negro. Economizar água, por exemplo, é uma atitude fundamental.

A responsabilidade é de todos nós cidadãos, mas é preciso que as autoridades se preocupem também com a saúde do rio. O rio Negro é federal, e de acordo com o biólogo Júlio César Costin, ele está “a própria sorte”. Por ser um rio federal, a legislação não o trata com o devido respeito. Deveria existir, por exemplo, um comitê de bacia hidrográfica para a gestão do rio Negro, mas não há atualmente. Então cabe a todos nós cuidarmos e fiscalizarmos para que haja a devida preservação do rio.

Em 2014 foi divulgada na imprensa local a “morte ecológica” do Rio da Lança, que nasce em Itaiópolis-SC e é um afluente do rio Negro. É algo bem triste e serve de exemplo para que tenhamos mais cuidados com ele e demais rios.

Atualmente ainda está na UTI. Acredito que com as obras do esgotamento sanitário, ele em torno de 10 anos possa voltar a oferecer condições ecológicas para fauna aquática. Atualmente ele está agonizando na área canalizada”, comentou Júlio sobre a situação atual do Rio da Lança. O curso original deste rio foi modificado em 1980 em Mafra-SC, próximo a “Praça dos Correios”.

Obras do desvio do Rio da Lança

Ainda sobre a saúde do rio Negro no trecho que compreende a nossa região, o biólogo Júlio César Costin explicou que neste trecho, o rio tem qualidade da água avaliada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) como Classe 2, ou seja, pode ser utilizada para o consumo desde que adequadamente tratada. Ainda de acordo com Júlio, o rio Negro por ser um rio de grande volume com muitas cachoeiras e grande extensão, tem um poder de autodepuração (processo natural de recuperação). Porém, como já mencionado, é preciso que todos nós tenhamos em mente o quão importante o rio Negro é.

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PONTES SOBRE O RIO NEGRO

Como já mencionado, o rio Negro é enorme. Eu estou focando em Rio Negro-PR e Mafra-SC, então citarei aqui as três principais pontes que fazem a divisa dos dois estados. Mas ao verificar no Google Maps é possível visualizar várias pontes sobre o rio Negro.

Nesta imagem de satélite é possível observar a localização das três pontes principais aqui da nossa região

PONTE METÁLICA

A obra e a pedra fundamental da Ponte Metálica sobre o rio Negro foram lançadas no dia 07 de novembro de 1895 pelo então Governador Francisco Xavier da Silva. A inauguração ocorreu no dia 22 de novembro de 1896. O evento teve a presença do Governador do Estado, José Pereira dos Santos Andrade. As medidas da ponte são: 71,46 metros de comprimento, 7,00 de largura e 8,10 metros de altura. Neste dia a ponte foi liberada para o trânsito. Antes da construção da ponte, fazia-se o trânsito de uma margem a outra usando canoas e uma balsa.

Em 1996 esta histórica ponte completou 100 anos. No ano seguinte a Ponte Metálica foi tombada pelas Secretarias de Cultura do Paraná e de Santa Catarina, bem como pelo município de Rio Negro como elemento a ser protegido permanentemente pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico.

No dia 24 de junho de 2000 a Ponte Metálica foi reinaugurada após passar por uma grande e necessária reforma. Neste dia ela passou a ser denominada ponte “Dr. Diniz Assis Henning”.

Recentemente eu publiquei duas pesquisas interessantes que fiz sobre a Ponte Metálica. Leia:


“PONTE DOS PEIXINHOS”

Em dezembro de 2014 foi realizada a revitalização da área de lazer da Ponte Interestadual Engenheiro Moacyr Gomes e Souza, na BR-116, conhecida como “Ponte dos Peixinhos”, que fica na divisa de Mafra com Rio Negro-PR. Ela foi inaugurada em 1952.

O antigo ponto de lazer que foi muito utilizado nas décadas de 70, 80 e 90 pela população local e também por turistas que trafegavam pela rodovia foi totalmente remodelado. Famílias se reuniam aos finais de semana e utilizavam as churrasqueiras ali existentes.

“PONTE NOVA”

A popular “Ponte Nova” foi inaugurada no dia 21 de fevereiro de 1969 com o nome Ponte Interestadual Coronel Rodrigo Ajace. Ela foi construída totalmente com concreto sobre o rio Negro, ligando as cidades de Mafra e Rio Negro-PR.

A ponte tem 204 metros de extensão. Foi construída pelo Governo de Paulo Pimentel, através da Secretaria dos Transportes e do Departamento de Estradas e Rodagem. 

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COMO A ÁGUA DO RIO NEGRO CHEGA ATÉ NÓS

O rio Negro abastece cerca de nove municípios catarinenses e aproximadamente cinco paranaenses numa extensão de 2.600 km². No Paraná o serviço é realizado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e em Santa Catarina pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

Em fevereiro de 1968 foi inaugurado em Rio Negro o novo sistema de abastecimento de água pela Sanepar. O sistema passou por ampliações para comportar o crescimento da cidade. As principais mudanças naquela época foram: captação de água no rio Negro, construção de 960 metros de adutora em ferro fundido; tratamento de água com filtros lentos; rede de distribuição de água em ferro fundido num total de 23.500 metros.

Foi no dia 30 de dezembro de 1971 que a Sanepar assumiu, oficialmente, o sistema de abastecimento de Rio Negro. Desde então a Sanepar tem feito investimentos de ampliar e garantir o abastecimento público e o tratamento dos esgotos da cidade. Em 2020, por exemplo, a Sanepar realizou ajustes em sua estação de captação no rio Negro com o objetivo de adiar o início de um eventual racionamento de água na cidade. Em consequência da estiagem que afetou o sul do Brasil naquele ano, o nível do rio Negro ficou muito abaixo do normal.

Atualmente a Sanepar produz e distribui água tratada para 345 municípios no Paraná e um em Santa Catarina (Porto União). A companhia mantém estações de tratamento de água em todo o Estado e realiza cerca de 622 mil análises da água, desde a captação, saída das estações de tratamento e também nas redes de distribuição.

Em Rio Negro a bomba de captação de água fica localizada próxima à região da Pedra Caída (Pirambeira). A água passa por sistema de tratamento com diversas etapas, desde sua captação e por fim, a mesma recebe cloro e flúor, garantindo potabilidade, qualidade e auxiliando na prevenção de cáries dentárias.

Confira na imagem abaixo as principais características da água distribuída no município de Rio Negro.

Clique para ampliar

Já a Casan está presente em 193 municípios catarinenses e um município paranaense. O sistema de tratamento da água praticamente é similar ao da Sanepar. Em Mafra a bomba de captação de água fica localizada no bairro Jardim América. A companhia também mantém laboratórios regionais, que fazem o monitoramento físico-químico e bacteriológico de águas e de esgotos sanitários em toda a sua área de abrangência. Essa rede de laboratórios faz o controle da qualidade dos serviços prestados pela companhia. Coletas e análises periódicas são efetuadas, gerando relatórios que são encaminhados à Vigilância Sanitária e também fornecidos aos clientes, através de informações mensais nas faturas de serviços e também, através de relatórios anuais encaminhados para cada cliente da Casan.

Além dos trabalhos dos laboratórios, também são efetuadas várias coletas durante o dia de amostras de água tratada. Isso possibilita avaliações rotineiras de qualidade, que incluem análise de: cloro residual, flúor, cor, turbidez e pH. Esse processo permite a tomada de providências imediatas, caso ocorra um resultado insatisfatório, conforme exige o Ministério da Saúde.

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REVERSÃO DO RIO NEGRO

A reversão de um rio significa, em termos leigos, que o rio dará “marcha ré”. Ou seja, o fluxo de um rio é revertido e água seguirá a direção contrária de sua direção normal. Essa reversão é feita com máquinas, obviamente.

Na década de 60 havia um ambicioso projeto da Companhia Paranaense de Energia (Copel) denominado “Projeto Rio Negro” ou “Reversão do Rio Negro”, cujas obras de engenharia modificariam o curso do rio Negro. Na época ele foi destaque em várias regiões do país.

Em nível nacional, a edição de fevereiro de 1966 da importante revista Conjuntura Econômica da Fundação Getúlio Vargas citou:

Ganhou ênfase, na COPEL, o chamado “Projeto Rio Negro”, que prevê a reversão desse rio para uma vertente oceânica da Serra do Mar, utilizando desnível superior a 800 metros e vazão regularizadora de mais de 300 m³ por segundo, com uma sucessão de 8 barragens e 4 usinas de bombeamento, num conjunto que poderá gerar, previsivelmente, cerca de 4 milhões de kW.

Aqui em Rio Negro, a Prefeitura também destacava o projeto. Prova disso é a publicação feita no folheto da edição do 7º aniversário do Serviço de Expansão Industrial e Turismo, de 18 de junho de 1966:

4 milhões de quilowats serão produzidos com a reversão do rio Negro. Um projeto fabuloso, foi planejado pelos técnicos da COPEL, (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) e atualmente os estudos estão sendo reexaminados pela ELETROBRÁS. Como trata-se de uma produção de kW muito econômica, o Plano é viável e sua construção é prevista para breve.

Este folheto foi impresso com verba municipal. Naquele ano o Prefeito era o senhor Maximiniano Pfeffer.

Ao realizar uma pesquisa mais profunda, eu encontrei mais informações sobre a reversão do rio Negro no Jornal Diário do Paraná, edição nº 2.790 de 23 de maio de 1963.

Naquele ano, o então Governador Ney Braga viajou até os Estados Unidos a convite do governo daquele país para manter entendimentos com autoridades e entidades financeiras, às quais apresentaria projetos e planos de obras necessárias ao desenvolvimento do Paraná. Entre os diversos projetos em andamento na época, necessitando ajuda financeira externa, estava o projeto hidrelétrico de reversão do rio Negro.

A edição nº 3.135 de 17 de julho de 1964 do mesmo jornal reforçou a importância econômica a reversão do rio Negro. O jornal destacou que o projeto “proporcionará quatro milhões do kW”. Segundo a reportagem, o projeto preliminar da reversão seria exposto em uma reunião do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul).

O custo total da obra foi avaliado na época em quase um bilhão de dólares, mais especificamente em 997,6 milhões de dólares (excluídos os juros), entre os gastos de desapropriações, obras civis, equipamentos, custos de administração e outros menores. Por esta razão seria necessária ajuda dos três estados do sul, além de uma ajuda financeira do exterior. “Necessariamente o financiamento deverá ser estrangeiro”, citou o Jornal Diário do Paraná.

Na época o Jornal Diário do Paraná se mostrava otimista com o projeto, tendo como manchete: “Reversão do Rio Negro com quatro milhões de kW poderá ser aprovada breve”. O projeto previa duas etapas de obras: a primeira para 1970 com o funcionamento da usina com 600 mil kW e a segunda para 1980 com a produção de 3.400 milhões de kW.

A foto publicada na reportagem mostra um aspecto de uma das oito barragens que seriam construídas no projeto. Em Rio Negro-PR a obra seria próxima à “Ponte dos Peixinhos”, onde o nível das águas atingiria 785 metros de altitude.

Com muito otimismo sobre a concretização do projeto, o jornal citou:

O rio, que há milhares de anos faz longo percurso em direção ao Iguaçu, do qual é afluente, desembocará dentro de alguns anos no Oceano Atlântico, mais precisamente em 1970, alterando completamente o sentido milenar que se inicia na Serra do Mar, onde nasce. Para essa obra que proporcionará 4 milhões de kW ao Brasil e cujo custo está avaliado em quase um bilhão de dólares, várias entidades estão trabalhando ativamente.

A reversão do rio Negro também teria importância para a navegação e no controle das enchentes, segundo cita a reportagem:

As enchentes do rio Iguaçu, sério problema para a região banhada pelo rio, com a reversão do rio Negro ficarão controladas completamente desde as cabeceiras até União da Vitoria. Além disso a altura das barragens, permitirá construção de eclusas, com a reabertura da navegação desde União da Vitória até Porto Amazonas e ainda, da primeira cidade até Rio Negro e Mafra, pelo rio Negro numa extensão superior a 300 quilômetros. A navegação poderá ser feita durante todo o ano até um calado máximo de dois metros.

Ainda segundo a reportagem, a formação de reservatórios com o projeto de reversão do rio Negro, criaria condições propícias para instalação de sistemas seguros e econômicos de abastecimento de água às comunidades existentes.

O “Projeto Rio Negro” teoricamente traria bons resultados para a economia do Paraná com uma grande produção de energia e certamente renderia bons frutos ao município de Rio Negro no que se refere à arrecadação de impostos. Isso ajudaria a desenvolver o município grandiosamente. Também ajudaria, teoricamente, no controle das enchentes.

O lado negativo seria a perda histórica que o rio Negro tem para o município. Com as informações disponíveis não é possível saber em detalhes como seria a nova caracterização do rio Negro aqui em nossa região com o projeto de reversão das águas. A reversão de um rio pode manter parcialmente as características originais dele ou descaracterizar totalmente por toda a extensão.

Em São Paulo há um grande exemplo de reversão de rio. A reversão do rio Pinheiros, na sua essência, permite desviar as águas do rio Tietê, bombeando-as através do rio Pinheiros com o curso de suas águas invertido, até o reservatório Billings. Esse sistema de reversão começou a funcionar na década de 40, com a instalação das Usinas Elevatórias de Traição e de Pedreira, que permitem reverter as águas do rio Pinheiros, elevando-as cerca de 25 metros, atingindo o reservatório Billings. Na implantação desse sistema o rio Pinheiros foi retificado em toda a sua extensão. Essa obra monumental propiciou uma abundante oferta de energia elétrica, alavancando o crescimento da Região Metropolitana de São Paulo e do polo industrial de Cubatão, além de um eficiente controle das cheias da bacia do rio Pinheiros, viabilizando, assim, que suas várzeas se transformassem em áreas urbanas, que hoje incluem-se entre as mais valorizadas da cidade.

Porém, a crescente poluição das águas passou a impor, a partir da década de 80, restrições ambientais ao sistema de reversão, que culminaram com o estabelecido no artigo 46 das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de São Paulo, que proíbe o bombeamento de águas poluídas para o reservatório Billings. Para regulamentar esse dispositivo legal, foi emitida, em 1992, uma Resolução Conjunta, que permite a operação de reversão apenas em situações emergenciais, entre as quais o controle das cheias do rio Pinheiros.

O projeto de reversão do rio Negro não teve prosseguimento. Vários fatores podem ter determinado a não execução das obras, sendo que o mais plausível parece ser a falta de recursos financeiros, pois era um projeto caríssimo. A conta deveria ser paga por alguém, mas aparentemente ninguém quis assumir a responsabilidade. Essa é a minha opinião com base nos fatos.

Em um vídeo publicado no YouTube em 2011, o engenheiro eletricista e ex-presidente da Copel, João Carlos Cascaes, comentou sobre seu artigo “Soluções para a energia no Paraná” publicado no Jornal do IEP edição nº 656 de janeiro de 2010. No artigo o engenheiro cita o projeto de reversão do rio Negro e a importância de projetos similares para a produção de energia e controle de enchentes.

A contenção de cheias e a operação de ponta viabilizando fluxos maiores de água precisam ser reanalisados diante do futuro de nosso país. O uso múltiplo das águas evitaria ou diminuiria as enchentes, ganhando energia elétrica de água que seria perdida. Nota-se que reservatórios intermediários podem ser usados também para abastecimento de água potável”, citou o engenheiro no artigo.

Segundo consta no artigo do engenheiro, o projeto da reversão do rio Negro desapareceu e a explicação foi de que envolvia águas internacionais. Mas o estudo deveria ser retomado. Nas palavras do engenheiro eletricista: “temos na reversão do rio Negro uma opção energética que poderá ser retomada, minimizando cheias e produzindo energia elétrica. Evitar enchentes, viabilizar reservatórios de água, operar melhor o sistema hidrelétrico. É possível e certamente desejável, porque evitar enchentes é coisa seria”.

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A SECA NO RIO NEGRO

A história nos mostra diversas ocorrências de enchentes, mas também já houve vários períodos de seca por aqui. É quando muitas pessoas afirmam que conseguem atravessar o rio Negro “caminhando” tranquilamente na água. Em vários pontos do rio é possível notar que isso é possível de fato quando há períodos de estiagem.

O rio Negro no período de seca em 2020

Não vou descrever aqui todos os registros para não prolongar tanto a publicação, mas em abril de 2020, por exemplo, o nível do rio Negro ficou bem abaixo do normal devido à estiagem que atingiu a região sul do Brasil. A falta de chuva preocupou a população e causou prejuízos na agricultura, principalmente. As empresas responsáveis pelo abastecimento de água em Rio Negro e Mafra, Senepar e Casan, respectivamente, não realizaram um racionamento de água nas duas cidades, mas ambas as empresas reforçaram o pedido para que a população economize água sempre.

A história também nos conta que em janeiro e fevereiro de 1888 houve uma grande seca que assolou Rio Negro e região com grandes danos à lavoura de subsistência. O curioso é que em outubro desse mesmo ano ocorreu uma grande enchente com o rio atingindo nível nunca anotado até então. Isso nos mostra que o rio Negro nos surpreende de várias formas.

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FÓSSEIS ENCONTRADOS NO RIO NEGRO

A seca que assolou a região fez aparecer em maio de 2020 no leito do rio Negro rochas com fósseis de uma espécie de réptil marinho, conhecida como Mesossauro.

A identificação foi realizada pela equipe do Centro Paleontológico (Cenpaleo) da Universidade do Contestado, que esteve no município de Três Barras, divisa com o Estado do Paraná, realizando coleta de amostras para análise.

Sobre os Mesossauros:

  • Viveram há aproximadamente 280 milhões de anos, portanto, bem antes dos dinossauros (230 a 65 milhões de anos);
  • Quando estes répteis estavam vivos, a América do Sul ainda estava ligada a África, Antártica, Índia e Austrália formando o continente Gondwana (Parte sul do Pangéia);
  • Tinham hábito aquático, mediam até 1 metro de comprimento, e viviam em grandes lagos de água salobra a salgada e provavelmente se alimentavam de pequenos crustáceos;
  • A rocha onde estão estes fósseis é definida como um folhelho oleígeno, popularmente chamado de xisto betuminoso.

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PROJETOS PARA A LIMPEZA DO RIO

Felizmente a qualidade da água do rio Negro se enquadra em classe apropriada para ser tratada para o consumo humano. Mas para que isso continue por muito tempo é preciso que tenhamos boas ações desde já. Todos nós podemos agir! Simples atitudes, como não jogar lixo no chão ou diretamente no rio já fazem muita diferença na preservação.

A seguir você poderá conhecer de forma resumida algumas ações voluntárias importantes que ajudam a preservar o rio e o meio ambiente em geral.

  • ONG Voz do Rio (S.O.S. rio Negro) – Surgiu em 2006 e foi registrada oficialmente em 2009. Desenvolve atividades preservacionistas nas cidades de Rio Negro-PR e Mafra-SC. Além disso, mantém o espaço “SOS Rio da Lança”, localizado às margens do referido corpo hídrico. O local serve para a difusão de práticas sustentáveis de educação ambiental, bioconstrução (utilizando bambus), meliponicultura urbana (abelhas sem ferrão e solitárias), compostagem, produção de mudas nativas, fungicultura, técnicas de criação urbana de peixes nativos em sistema de recirculação de água (R.A.S). Também realiza análises físico-químicas e biológicas dos rios da região. Contatos: www.facebook.com/ongvozdorio | ongvozdorio@hotmail.com

  • Eco Barreira Rio Mafra – Realiza um grande e importante trabalho de preservação ambiental e limpeza dos rios com barreiras. Todos que se preocupam com o meio ambiente podem colaborar. A ampliação do projeto depende apenas da disponibilidade dos materiais (galões e rede). É um projeto de baixo custo, mas que surte grandes resultados! Para participar como voluntário basta entrar em contato através da página do projeto no Facebook: www.facebook.com/ecobarreirariomafra

  • Aysú – Amor pelo rio Negro – Idealizado em parceria pelas Prefeituras de Rio Negro-PR e Mafra-SC, com auxílio de entidades governamentais e não governamentais, o projeto Aysú (amor em tupi-guarani) visa convidar os cidadãos riomafrenses a demonstrarem seu amor pelo nosso rio, e pela mata que o protege, conscientizar sobre a preservação do meio ambiente e sobre o descarte correto de resíduos.
  • Ações diversas da população – Todos nós podemos realizar projetos voluntários em prol do rio Negro. Em 2013, por exemplo, um grupo de seis jovens resolveu se reunir em prol de uma atitude consciente, realizando uma limpeza em trecho da mata ciliar do rio da Lança. Deixando o dia de descanso e lazer, participaram da ação Lucas Schafaschek, Giseli Lima, Ana Marta Schafaschek, Marina Xavier, Helyton Henning e Gabriel Roik. Neste link há a notícia que serve de inspiração para todos nós.

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ECONOMIZAR HOJE PARA TER AMANHÃ

Todos nós aprendemos desde cedo a importância de economizar água, mas é sempre bom relembrarmos. Confira abaixo algumas dicas básicas, mas que fazem a diferença:

  • Tome banhos mais curtos: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco minutos é o tempo ideal para conseguir se lavar adequadamente e conseguir um uso sustentável de água e energia.
  • Feche o chuveiro sempre que possível: além de demorar menos tempo no banho, evite deixar o chuveiro aberto enquanto se ensaboa e ligue-o apenas quando for se enxaguar.
  • Mantenha a torneira fechada: ao escovar os dentes, lavar o rosto ou as mãos, mantenha a torneira fechada. A economia é de 12 litros em casas a 80 litros em apartamentos. Fique atento também se a torneira não continua pingando água mesmo quando fechada. No período de um ano, ao menos 16 mil litros de água limpa são desperdiçados apenas pelo mau fechamento das torneiras.
  • Cuidado com os vazamentos: por mês, 96 mil litros de água potável são desperdiçados por um buraco de dois milímetros em um cano. A quantidade de um dia é capaz de lavar todas as roupas em uma só lavagem na máquina de lavar.
  • Use a descarga com consciência: se pressionada por seis segundos, cada descarga do vaso sanitário consome entre 6 e 10 litros de água. Utilize-a somente quando houver necessidade e não jogue lixo no vaso sanitário.
  • Limpe antes de lavar: muitas pessoas exageram no consumo de água na hora de lavar louça, seja por deixar a torneira aberta ou porque a louça está muito suja. Para evitar, retire o excesso de sujeira dos pratos, copos, talheres e panelas a seco, antes de abrir a torneira e mantenha-a fechada. Com a máquina de lavar louças, tenha atenção para liga-la apenas quando estiver cheia.
  • Lave a roupa com menos frequência e mais atenção: ligue a máquina de lavar roupas apenas quando ela estiver completamente cheia; o consumo de uma máquina de cinco litros é de 135 litros a cada uso. Você também pode deixar a roupa acumular e lavar tudo de uma só vez.
  • Não utilize a mangueira: seja para lavar o carro ou regar as plantas, não utilize a mangueira: se usada por 15 minutos, ela consome 180 litros de água. Para lavar o carro, prefira um pano úmido e balde e, para regar, um regador.
  • Use a vassoura para limpar a calçada: não utilize a mangueira para lavar a calçada; além de desnecessário, o consumo de água é grande. Prefira uma vassoura ou água de reuso.
  • Cuide da água da piscina: sempre que não utilizada, cubra a piscina – assim, a evaporação diminui em até 90%. Em uma piscina de tamanho médio, a perda chega a ser de 3.785 litros por mês, o suficiente para consumo de quatro pessoas por um ano.
  • Atente-se à caixa d’água: não deixe a caixa transbordar e mantenha-a sempre fechada para evitar a evaporação. Junto do consumo moderado, as chances dela durar mais tempo são maiores.
  • Reaproveite a água: a água do banho e da máquina de lavar pode ser reutilizada para fazer as pequenas limpezas, como a da calçada ou do carro, e principalmente para dar a descarga.
  • Aposte em sistemas de reutilização: os sistemas de reuso profissionais são caros, mas um investimento que, em longo prazo, gera economia no consumo de água e ainda mais na conta.

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Se você leu todo o texto e chegou até aqui, parabéns! Além de ser um bom (a) leitor (a), certamente é alguém que sabe da importância do rio Negro.

Gostou desta pesquisa? Espero que sim! Deixe o seu comentário e não deixe de compartilhar com os seus contatos. Como eu citei no início: preservar o rio Negro é fundamental sempre. A história do rio é construída todos os dias e nós fazemos parte dela atualmente. Temos o dever de preservar ao máximo este rio que foi, é e sempre será importantíssimo! 

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Pesquisa: Ever Lisboa – www.everlisboa.com.br
Fotos: Arquivo Público de Rio Negro / Ever Lisboa / Divulgações

Ever Lisboa é formado em sistemas de informação e possui mais de 16 anos de experiência na área de Tecnologia da Informação (TI). Também possui pós-graduação na área de administração e psicologia organizacional. Possui registro profissional de jornalista desde 2010 (MTb 3816/SC) e registro de historiador (0016/PR). É autor de 03 livros e mais de 100 artigos.

  1. Imagem de perfil Jane Elias

    Ever, parabéns pela pesquisa e pela divulgação, matéria super completa. 💯

  2. Imagem de perfil Paulo Maurício Romero Gomes

    Parabéns pelas informações e detalhes.
    Estive neste acidente do 5°RCC no dia 21 de novembro de 1975,foi muito triste e até hoje está vivo em minha mente.
    O cabo Holback era campeão da Brigada em transcurso de Rio e a viatura havia passado por uma revisão.
    Deus me poupou .Neste mesmo dia logo após o acidente um jeep anfíbio que estava no Rio parou o motor, vai entender.
    Paulo Maurício.
    2°Ten.R/2 Gomes.

  3. Imagem de perfil Luiz Nivaldo Lang

    Ever, parabéns pelo espetacular material a respeito de nosso querido rio Negro!
    Apenas a título de desafio a você, lembro de fato acontecido no ano de 1988 no Salão Paroquial 6 de Agosto para a apresentação do RIMA acerca da previsão de instalação de uma enorme fábrica de papel.
    Algumas lembranças:
    – a apresentação do RIMA (Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente), em audiência pública, era uma condição para a aprovação da instalação da fábrica;
    – salão lotado;
    – os representantes do órgão ambiental do governo do Estado conduziram a sua apresentação;
    – números apresentados:
    – geração de empregos: 1.500;
    – casas para todos os funcionários;
    – 450 ha de lagoas para decantação dos rejeitos;
    – 3 ton/dia de soda cáustica gerariam 3% de rejeito e descarte no rio;
    – o rio Negro foi escolhido para a instalação dessa fábrica porque entre todos os outros lugares para isso o que foi mais favorável à sua escolha era o fato de, à época, ser o MENOS poluído;

    A lista é infinda dessa reunião que eu guardo na memória mas, o que eu gostaria de fazer é um desafio: a documentação dessa Audiência Pública deve estar em algum lugar.
    Na Prefeitura ouno governo do Estado.

    A grita foi geral quando entre as alegações foi citado o fato do rio ser o menos poluído.

    Tanto que houve até teatralização por um cidadão ilustre que entrou com um vidrinho contendo metano e entre outras consequências a fábrica não foi instalada no município. Era para ser no Lajeado. Foi do outro lado do rio, em Rio Negrinho. Contavam as más línguas que esse cidadão ilustre tinha interesses pessoais: tinha escritório e empresa de transporte coletivo onde foi instalada a fábrica.

    Curiosidades históricas apenas mas acho que valeria a pena ir atrás desse RIMA e porque não ver como está hoje o funcionamemto dessa fábrica e seus rejeitos. O interesse é coletivo.

    Abraços,
    Luiz Nivaldo Lang

    • Ever Lisboa Ever Lisboa

      Olá, Luiz! Agradeço muito pela participação e sugestão. Já anotei aqui na minha lista de temas para pesquisas. Obrigado mesmo. Grande abraço.

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