Veja fotos e dados dos meteoritos que caíram em Rio Negro e Mafra

Em junho deste ano, pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estiveram em Rio Negro-PR em busca de informações do meteorito que caiu na cidade em 21 de setembro de 1934. A notícia foi publicada na imprensa local.

Sendo um apaixonado pelo cosmos eu fiquei bastante interessado no assunto, então pesquisei em meus arquivos e fiz alguns contatos para tentar obter mais informações e curiosidades, ajudando desta forma a preservar e valorizar esse fato curioso da história de Rio Negro.

As informações iniciais que encontrei e publiquei na época foram estas:

Durante a noite, o meteorito do Rio Negro caiu com sons altos em uma pequena fazenda perto do Rio Negro. Por esta razão foi dado este nome para ele. A massa do meteorito é de 1,31 kg. É classificado como sendo um Condrito, que é um tipo de meteorito rochoso que não foi modificado devido à fusão ou diferenciação do corpo de origem e é formado quando vários tipos de poeira e pequenos grãos presentes no início do sistema solar acretam para formar primitidas de asteroides. O meteorito do Rio Negro contém uma pequena fração de grãos de olivina e piroxênio que têm densidade de traços extremamente alta. Um fragmento parcialmente crostoso do Rio Negro é preservado no Museu do Vaticano, em Roma.

O Observatório do Vaticano possui uma das maiores coleções de meteoritos do mundo, com mais de 1.100 amostras de mais de 500 quedas diferentes, representando quase 150 kg de material extraterrestre. A coleção de meteoritos no Vaticano existe desde meados de 1907. Desde então, a coleção cresceu com presentes e negócios. Pode-se presumir, portanto, que algum empresário de Rio Negro ou até mesmo a Igreja Católica tenha feito a doação do meteorito para a coleção do Vaticano.

Mas eu não fiquei satisfeito com estas informações apenas. Eu queria ter pelo menos uma foto do meteorito e entender como ele foi parar no Vaticano. Muitas pessoas ficaram com esta dúvida também e agora poderão entender o motivo.

METEORITO DE RIO NEGRO NO VATICANO

Ao fazer contato com o Observatório do Vaticano eu fui muito bem atendido pelo curador da coleção de meteoritos: o senhor Robert Macke, que é um grande estudioso e especialista na área.

Ele me informou que o exemplar do Meteorito Rio Negro foi doado algum tempo antes de 1940 pelo Frei Crisóstomo Adams. A data exata do presente está faltando nos registros do observatório, mas o padre assinou o livro de visitas do Observatório do Vaticano em abril de 1935.

Segundo o observatório, há uma carta do Frei Crisóstomo Adams mencionada no artigo de Gatterer e Junkes (especialistas da área), mas não foi encontrada nos arquivos, infelizmente. Ter a carta e seu conteúdo seria algo precioso hoje!

  • Curiosidade: Alois Gatterer (1886-1953), que estudou o Meteorito Rio Negro, foi um dos fundadores da revista Spectrochimica Acta, que foi impressa no Vaticano nos anos após a 2ª Guerra Mundial, quando era difícil encontrar instalações para a produção de revistas científicas.

Gentilmente, o irmão Robert Macke também me enviou fotos e o relatório completo do Meteorito Rio Negro. É possível ler ele na íntegra ao final deste texto. Eu deixei na versão em inglês para preservar todas as informações corretamente. Você pode usar um tradutor de textos à vontade se precisar. O texto é de 2001 e faz parte do catálogo de meteoritos do Observatório do Vaticano.

Segundo o relatório, foi observada a queda de um meteorito em 21 de setembro de 1934, às 20h30, hora local, em Rio Negro-PR. Foi possível encontrar um fragmento da pedra caída que pesava 1.310g. Foi cortada uma peça serrada de 694g dele, que o Frei Crisóstomo Adams gentilmente colocou à disposição do laboratório astrofísico do Observatório do Vaticano para pesquisas científicas. Infelizmente não há registros que indiquem o local exato da queda do meteorito em Rio Negro. Pena que a tal carta do Frei Crisóstomo Adams não foi encontrada, pois certamente havia boas informações nela. 🙁

Para estudar o Rio Negro, um pedaço de 4,23g foi arrancado do meteorito, pulverizado e separado com um ímã; parte da amostra magnética foi parcialmente analisada por química úmida e o resto colocado no espectrômetro de emissão de centelha.

Segundo o Observatório do Vaticano, a história da pedra desde aquela época não é clara, já que ainda restam cerca de 600g em algum lugar do Brasil. Da amostra de 694g enviada ao Vaticano, três pedras com uma massa total de 517g permaneceram na época do catálogo de 1957, e o resto foi negociado com o Smithsonian (instituição educacional e de pesquisa associada a um complexo de museus) como parte de um negócio de vários meteoritos. A maior peça da época, 389g, ainda permanece na coleção; em 1986, entretanto, era a única peça que restava. O destino das outras duas pedras (128g de massa total) é desconhecido do observatório.

CAIU EM RIO NEGRO DO PARANÁ OU RIO NEGRO DO AMAZONAS?

Na época houve a dúvida sobre o local exato da queda do meteorito: ocorreu na cidade de Rio Negro-PR ou próximo ao Rio Negro, que é um afluente do Amazonas? De fato, Rio Negro é um nome bastante comum no Brasil e gerou a dúvida na hora de registrar o meteorito.

Mas de acordo com o relatório do Vaticano, fontes da década de 1940 listam o meteorito como vindo da cidade de Rio Negro, no Estado do Paraná. O relatório cita que Andrew Whitman SJ, um matemático que viveu e trabalhou por muitos anos no Brasil, perguntou sobre este meteorito entre seus amigos de Rio Negro-PR e/ou região próxima. E o senhor José Pio, um executivo corporativo aposentado e voluntário em trabalhos jesuítas pelos pobres no Brasil, também confirmou que este meteorito é de fato da cidade de Rio Negro-PR, que fica longe do Rio Negro do Amazonas.

Segundo o relatório do Observatório do Vaticano, aparentemente houve uma má interpretação do nome ou talvez estivesse escrito incorretamente na carta que receberam na época, por isso ficou a dúvida. O senhor Pio observou que o meteorito era originalmente chamado de “Pendengo” pelos moradores. Essa palavra em português talvez seja mais bem traduzida como “imbróglio”.

O METEORITO DE 1934 CAIU EM RIO NEGRO-PR OU EM MAFRA-SC?

Todas as organizações, sites especializados e museus que possuem as listas de meteoritos catalogados no Brasil citam Rio Negro-PR como o local da queda do meteorito de 1934. O meteorito ganhou o nome da cidade por isso, inclusive. Todos os estudiosos da astronomia consideram Rio Negro-PR como local da queda baseando-se nesses registros de catalogação. O relatório do Vaticano confirma isso também, conforme mencionado acima.

Porém, se o meteorito caiu de fato em Rio Negro é uma dúvida razoável pelo seguinte: há outro relato que cita a queda do meteorito em 1934, mas com um “cenário” mafrense ao invés de rionegrense, aparentemente.

Na Revista Brasileira de Geociências (volume 7, de 1977), há outro relatório que cita que o meteorito caiu em setembro de 1934 às 20h30. No texto consta que a população local assistiu a queda do meteorito, que gerou um zumbido de volume alto.

O curioso é que este relatório traz a informação: “o prefeito de Rio Negro, Sr. Ayres Rauen, visitou o local da queda (aparentemente uma fazenda) e coletou amostras pesando pouco mais de 1kg. A amostra estudada aqui foi obtido por empréstimo do Museu de História Natural de Viena, Áustria”.

O relatório cita “prefeito de Rio Negro”, mas na verdade o senhor Ayres de Oliveira Rauen foi prefeito de Mafra-SC, cidade vizinha de Rio Negro-PR. A cidade de Mafra fica “grudada” em Rio Negro (esta informação é importante para quem não conhece a região). O senhor Ayres foi nomeado prefeito pelo Governo Estadual e exerceu o mandato de 2 de maio de 1933 a 20 de maio de 1935.

Portanto, considerando a informação que o prefeito de Mafra coletou o meteorito e que Rio Negro e Mafra são cidades “grudadas”, há sim a possibilidade de o registro do local da queda ter sido catalogado de forma equivocada.

Lendo os dois relatórios (do Vaticano e da Revista Brasileira de Geociências), podemos montar parte deste quebra-cabeça. De acordo com o relatório do Vaticano, o Frei Crisóstomo Adams doou ao observatório parte do meteorito. Então podemos presumir que o prefeito Ayres de Oliveira Rauen foi até o local da queda, talvez em Mafra (perto de Rio Negro), coletou e depois repassou o meteorito ao Frei Crisóstomo Adams, que morava em Rio Negro na época.

  • Curiosidade: mas por qual motivo um religioso teria interesse numa “rocha que caiu do céu”? Explicarei o motivo logo mais, quando citarei a história do Frei. 😉

Como foi o Frei Crisóstomo Adams (que morava em Rio Negro) quem doou o meteorito ao Vaticano, o registro oficial da queda pode ter ficado como Rio Negro-PR ao invés de Mafra-SC, de onde era o senhor prefeito Ayres de Oliveira Rauen.

Mas isso é apenas uma hipótese levantada por este humilde pesquisador. Como eu já citei: é uma pena que a tal carta do Frei Crisóstomo Adams não foi encontrada, pois certamente havia boas informações nela que poderiam esclarecer sobre o local exato da queda do meteorito.

  • Outro meteorito: Vale lembrar que há o registro de outro meteorito que caiu em 1941 em Mafra-SC. Eu também pesquisei sobre ele. Você poderá ler as informações aqui mesmo, logo mais. Se você chegou até aqui é porque gosta de ler e gosta do assunto. Parabéns! 😉

Mas certamente em 1934 a catalogação do meteorito foi feita após a devida constatação da queda na cidade. Eu tenho confiança na forma que a ciência funciona: com base em evidências. Infelizmente não há atualmente documentos que comprovariam que de fato o meteorito caiu em Rio Negro, então temos que confiar no procedimento padrão que certamente foi adotado pelos astrônomos da época.

NÃO HÁ REGISTROS

Não há fotos da época, já que naquele tempo a fotografia era algo de luxo e coisa rara. E também não há informações de famílias de Rio Negro ou Mafra envolvidas no encontro do meteorito ou de famílias que presenciaram a queda. O que há são especulações, mas seria errado eu publicar aqui sem ter algo concreto. Eu conversei com algumas pessoas, inclusive com familiares do senhor Ayres de Oliveira Rauen, mas não há informações que passaram de geração para geração na família e que poderiam nos dar mais detalhes sobre a queda do meteorito.

A queda de meteoritos é algo bastante comum. Sempre foi. Porém nem sempre é registrada, embora atualmente seja mais “fácil” observar com os equipamentos que a tecnologia nos proporciona. Mas para a época de 1934 a queda do meteorito foi algo extraordinário certamente. E também foi assustador para muitas pessoas, provavelmente, já que o conhecimento científico sobre meteoritos e tudo mais sobre o cosmos não era de fácil acesso às pessoas naquele tempo. Então a queda de algo que veio do espaço é algo que seria ou deveria ser passado de geração a geração sem dúvida, mas infelizmente não temos informações precisas que foram preservadas com o passar do tempo. Não há também, infelizmente, registros de notícias em jornais da época que relatam esse fato extraordinário.

METEORITO DE RIO NEGRO NA ÁUSTRIA

O relatório que mencionei anteriormente também cita que a amostra do meteorito que caiu em 1934 foi parar no Museu de História Natural de Viena, na Áustria. Este grande museu – que é um dos maiores do mundo – abriga objetos mundialmente famosos e únicos, como a Vênus de Willendorf, com 29.500 anos de idade, a vaca-marinha do Steller que se extinguiu há mais de 200 anos e enormes esqueletos de dinossauros. Outros destaques nas 39 salas de exposição incluem a maior e mais antiga coleção pública de meteoritos do mundo, incluindo o espetacular meteorito “Tissint” de Marte, bem como a nova exposição antropológica permanente sobre as origens e o desenvolvimento dos humanos.

Os museus e observatórios pelo mundo a fora emprestam ou negociam fragmentos de meteoritos para estudos diversos. Isso justifica o fato do Meteorito Rio Negro ser fragmentado. Suas partes estão em vários locais atualmente.

Eu entrei em contato com o Museu de História Natural de Viena e fui muito bem atendido pelo Dr. Ludovic Ferriere, que é o curador da coleção de meteoritos. Gentilmente ele me confirmou que há um fragmento do Meteorito Rio Negro no acervo do museu.

Ele me enviou informações específicas sobre os espécimes que possuem deste meteorito na coleção do Museu de História Natural de Viena, além de fotos do fragmento do Meteorito Rio Negro que está em exibição no Salão do Meteorito do museu. Quem visitar o local – após a pandemia – poderá encontrar ele na exposição.

No relatório de entrada do Meteorito Rio Negro no catálogo de meteoritos do Museu de História Natural de Viena há a informação:

Uma pedra de 1310g foi vista caindo. Descrição, com uma análise parcial, A. Gatterer & J. Junkes (1940). O relatório menciona a hora oriental, o que sugere que o Rio Negro em questão (há vários) é o local 26 ° 6’S, 49 ° 48’W, no Estado do Paraná, L.J. Spencer (1940). Fragmento não equilibrado estudado, olivina Fa25, R.V. Fodor et al. (1977). Análises químicas, E. Jarosewich (1990). Espectroscopia de refletância: escurecimento de côndrulos por aquecimento de choque, D.T. Britt & CM. Pieters (1994). Rico em gás, L. Schultz & H. Kruse (1983). Compilação de dados de gás nobre, L. Schultz & H. Kruse (1989); L. Schultz pers. comum. (1998). Distribuição: 3g, Vaticano Colln, Roma; 50g, USNM, Washington; 33g, MPI, Mainz, 0,8g, UCLA, Los Angeles; 18g, NHM, Viena. Amostra (s): [1963,791], 50g, fatia.

MAS AFINAL, QUEM FOI CRISÓSTOMO ADAMS E POR QUAL MOTIVO ELE DOOU O METEORITO AO VATICANO?

Frei Crisóstomo Adams foi um dos professores no nosso querido seminário de Rio Negro (atual prédio da Prefeitura). Ele era apaixonado pela astronomia e mantinha no seminário uma área de observação e estudos. Isso mesmo: já tivemos em Rio Negro um observatório de astronomia.

Quem me conhece sabe que sou fascinado pela ciência. Principalmente com a astronomia (por favor, não confunda com astrologia, que é uma pseudociência). Então fiquei bastante feliz por conseguir obter informações sobre o Frei Crisóstomo Adams. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Merece, inclusive, um maior destaque e valorização, penso eu. Ao ler a Revista Eclesiástica Brasileira, edição de 1944, eu encontrei bons relatos sobre a vida do Frei.

Crisóstomo Adams nasceu no dia 28 de agosto de 1868 em Godesberg, arquidiocese de Colônia na Alemanha. Vestiu o burel franciscano no dia 14 de maio de 1885, emitindo a profissão solene a 13 de junho de 1889. Ordenou-se sacerdote no dia 3 de junho de 1894 e embarcou em seguida para o Brasil, onde se entregou com dedicação à “cura das almas” e ao ensino.

Em abril de 1911 foi destacado, juntamente com o Frei Hugo Mense, para a fundação da missão entre os índios Mundurucus no nordeste brasileiro. Viajaram de navio até São Luís, de onde embarcaram em uma canoa para uma viagem de 60 dias na correnteza do rio Tapajós em busca do local para instalarem o projeto missionário. Durante a construção os dois padres moravam na maloca com os índios.

Devido a fortes febres, Crisóstomo Adams foi obrigado a abandonar o projeto missionário e se mudar para o clima mais hospitaleiro no sul do Brasil. Mudou-se para a cidade de Blumenau-SC. No sul, Crisóstomo Adams ocupou cargos de responsabilidade em vários conventos.

Em 1919 a Companhia Colonizadora levou para a cidade de Três Arroios-RS os primeiros padres da Congregação Franciscana com o intuito de atrair colonos compradores de terra. Assim foi construída a primeira igreja feita em madeira, que serviu também de escola. Os dois primeiros padres franciscanos que se estabeleceram foram: Frei Crisóstomo Adams, que estava em Blumenau na época e o Padre Fidelis Kamp, de São Paulo. Crisóstomo iniciou a escola contando no início com 20 alunos.

Em 1924 mudou-se para Rio Negro-PR. Durante os últimos vinte anos de vida trabalhou como professor de ciências no Seminário Seráfico de Rio Negro. Era um religioso com conhecimentos de astronomia. Projetou a criação de um pequeno observatório astronômico e meteorológico no seminário.

Auxiliado por um bom número de amigos e benfeitores, Frei Crisóstomo Adams encomendou da Alemanha um grande telescópio, que era operado por ele e sua equipe. A pedido do governo aceitou o encargo de atender à estação meteorológica, zelando com a máxima pontualidade para que sempre encaminhassem as comunicações precisas ao Rio de Janeiro.

Com muito carinho se dedicou ao observatório astronômico por ele construído e fornecia dados não só ao Observatório Nacional, mas também a vários outros da África do Sul e da Europa, como ocorreu com o Observatório do Vaticano.

Em 1935, Frei Crisóstomo Adams celebrou o Jubileu Áureo de vida religiosa na Alemanha. Com a devida licença seguiu para a Itália a fim de visitar os célebres santuários e famosos museus. Apesar da idade avançada gostava de viajar. Fazia o possível para visitar amigos e confrades e, de perto, apreciar as grandes exposições de vários países da Europa. Certamente foi em uma destas visitas que o Meteorito Rio Negro chegou ao Observatório do Vaticano, já que o padre assinou o livro de visitas do museu em abril de 1935, conforme foi confirmado.

Segundo relatos, Crisóstomo Adams foi um religioso exemplar, sempre de inalterável bom humor. O Frei faleceu no dia 20 de abril de 1944 no Seminário Seráfico de Rio Negro. Seu corpo foi sepultado no campo santo do seminário, sendo que tempo depois foi transladado para o Cemitério Municipal de Rio Negro.

Eu descobri recentemente que o grande telescópio encontra-se atualmente no Seminário Santo Antônio de Agudos-SP. Realmente o telescópio era gigantesco. Sem dúvida muitas observações astronômicas magníficas foram feitas com ele no seminário.

MAS E O TAL METEORITO DE MAFRA QUE CAIU EM 1941?

É claro que o meteorito que caiu em 1941 na cidade de Mafra-SC não poderia ser esquecido. Eu fiz uma breve pesquisa e encontrei informações importantes sobre ele. A maioria das informações é do excelente trabalho de pesquisa do Dr. Adolpho José Melfi, que me atendeu com muita educação e dedicação também.

Por ser um fato ocorrido há muito tempo, infelizmente há poucos registros sobre esse meteorito. Mas na pesquisa do Dr. Adolpho José Melfi, realizada em 1952 para o Departamento de Geologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), há excelentes informações que nos ajudam a conhecer um pouco da história.

Segundo o relatório, no ano de 1941, em Mafra-SC, vários observadores testemunharam a queda de um meteorito que produziu um imenso clarão e forte ruído. Antes de cair o meteorito sofreu uma intensa fragmentação, rompendo-se em vários pedaços, tendo sido recuperados apenas quatro. Estes fragmentos enterraram-se no solo em cerca de 1 metro de profundidade.

Pelas informações obtidas dos observadores, não foi possível reconstituir os eventos da queda, não sendo possível precisar o rumo e nem o ângulo com que os fragmentos se projetaram no solo, e nem a sua velocidade.

Um destes fragmentos do meteorito que caiu em Mafra, que foi objeto do trabalho de pesquisa do Dr. Adolpho José Melfi, foi doado pelo senhor Theodoro Saade (que era proprietário de um museu na cidade de Mafra) ao Dr. Sergio Estanislau do Amaral (geólogo e professor universitário), que cedeu posteriormente ao Departamento de Geologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

O belíssimo trabalho do Dr. Adolpho José Melfi contém todos os dados técnicos do meteorito. Eu separei alguns apenas para não ficar tão longo este texto. São informações preciosas que nos ajudam a conhecer o meteorito que caiu em 1941 em Mafra:

O fragmento estudado possui peso total de aproximadamente 600g. O estudo da morfologia evidenciou forma poliédrica, com arestas arredondadas. Esta forma é considerada característica para os condritos devido à tendência que possuem de se quebrar em planos estruturais.

Toda a superfície externa da amostra apresenta-se revestida por uma película escura, que só não aparece nas superfícies de fraturas recentes. É a chamada crosta de fusão, que constitui uma das principais características dos meteoritos. É pouco espessa. Parece resultar da fusão parcial sofrida por minerais do meteorito ao entrar em contato com a atmosfera da Terra durante sua queda.

Apresenta superfícies denominadas de primeira ordem, caracterizadas por proeminentes marcas causadas pela ação do atrito com a atmosfera. Algumas dessas superfícies são bem polidas. Quase todas as faces possuem depressões rasas, que constituem as irregularidades mais comuns da superfície externa do meteorito.

Na superfície de fratura foi notada uma aparente brechação, como aparecimento de fragmentos de formas irregulares e angulosas. Estes fragmentos são côndrulos quebrados ou parcialmente recristalizados, ou ainda mais comumente zonas com textura diferente. Côndrulos bem arredondados são claramente visíveis nesta superfície de fratura, possuindo os maiores cerca de 3 mm de diâmetro, sendo a maior parte deles constituídos par silicatos, de coloração cinza clara. Côndrulos metálicos, de coloração cinza escura, brilhantes em superfícies recentemente polidas, são visíveis, dispersos na massa principal.

O meteorito de Mafra pela sua estrutura típica, constituída por côndrulos pode ser considerado um condrito, onde a presença de crisolita e bronzita permite considerá-lo um olivina-bronzita condrito, pertencente à classe III, tipo 2.

SOBRE O MUSEU DE MAFRA

Mafra de fato possuía um museu de propriedade do senhor Theodoro Saade. Ele possuía materiais coletados em sítios arqueológicos de Santa Catarina, como o Abrigo Rückel, situado na localidade de Cerro Azul em Rio Negrinho.

Ao pesquisar sobre o museu eu encontrei a Lei nº 153, de 17 de julho de 1974 da cidade de Rio Negro-PR. Esta Lei autorizou o Executivo Municipal a adquirir o acervo do Museu “Theodoro Saade” de Mafra-SC, no valor de Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros). As despesas decorrentes da Lei foram cobertas por dotação constante do orçamento da época referente à expansão ao turismo do setor de educação e cultura de Rio Negro.

No ano de 2002 a coleção do Museu “Theodoro Saade” foi transferida para o Museu Histórico “Professora Maria José França Foohs”, que foi inaugurado no dia 15 de novembro daquele ano e fica localizado no interior do Palácio Seráfico (antigo seminário e atual sede da Prefeitura de Rio Negro), no espaço onde funcionava a cozinha e os antigos refeitórios dos padres franciscanos.

É incrível como o nosso querido e histórico seminário de Rio Negro está relacionado de alguma forma com a história dos dois meteoritos.

ASTEROIDES, COMETAS, METEOROIDES, METEOROS E METEORITOS

Muitas pessoas ficam na dúvida: é meteoroide, meteoro ou meteorito? É a mesma coisa? E ainda há os cometas e asteroides para gerar mais dúvidas… Mas ter dúvida é muito bom para quem gosta de obter conhecimento.

A astronomia (por favor: não confunda com astrologia) é uma área da ciência interessante para quem é apaixonado pelo universo. E não precisa ser formado na área para buscar o conhecimento. Eu, por exemplo, não tenho formação em astronomia, física, química ou biologia, mas adoro me aprofundar no tema nas horas vagas. No meu livro Os Prisioneiros da Superstição eu dediquei um capítulo para valorizar esta ciência incrível.

Resumindo bem sobre os corpos celestes:

Os ASTEROIDES são corpos rochosos, restos do violento passado dos planetas. São detritos originados de colisões entre planetas, por exemplo. A maior parte dos asteroides do nosso Sistema Solar está localizada entre as órbitas de Marte e Júpiter. O asteroide não possui um formato definido e nem gravidade suficiente para que seja considerado planeta. Os asteroides muito grandes costumam ser chamados de PLANETOIDES.

Já os COMETAS são geralmente formados por gases e gelos solidificados pelas baixas temperaturas do espaço. Quando se aproximam do Sol, passam a exibir uma longa e brilhante cauda, que surge em razão da evaporação de sua superfície quando exposta aos ventos solares. O Cometa Halley é o mais famoso de todos e é o único de curto período que é regularmente visível a olho nu da Terra. Também é o único cometa a olho nu a aparecer nos céus duas vezes durante uma só geração humana. A próxima “visita” está prevista para ocorrer no dia 28 de julho de 2061. A última foi em 1986. Você lembra?

Um METEOROIDE é um pedaço de matéria de um corpo rochoso que viaja no espaço. É um “asteroide pequeno”, por assim dizer, geralmente com menos de um quilômetro de diâmetro. Acima disso esse pedaço de matéria é considerado um asteroide.

Se um meteoroide cai dentro da atmosfera da Terra, ele comprime e aquece rapidamente o gás atmosférico, formando uma bolha de plasma (gás aquecido e ionizado), que brilha por um determinado período de tempo. E assim gera o METEORO. Se você já viu uma “estrela cadente” e fez um pedido especial, você estava na verdade vendo um meteoro.

Em termos leigos: os meteoros são flashes de luz que ocorrem quando um meteoroide queima e se desintegra na atmosfera da Terra, mas não chega até à superfície por ser destruído pelo atrito com o ar. É incendiado por completo ao passar pela nossa atmosfera com velocidade muito alta.

Todos os meteoros geram um espetáculo para quem gosta de admirar, mas os “meteoros bola de fogo” são mais incríveis ainda! Quando um meteoro é mais brilhoso do que o planeta Vênus, que tem magnitude de -4, ele é considerado um meteoro bola de fogo. Nesta quarta-feira (28 de julho de 2021) um meteoro bola de fogo foi registrado no céu de Santa Catarina. Confira o vídeo abaixo. Ele é do astrônomo Jocimar Justino, da cidade de Monte Castelo-SC.

 

De tempo em tempo ocorrem as “chuvas de meteoros” que geram um show no céu. Nesta semana teremos duas! As chuvas de meteoros são normais (não é algo apocalíptico, por exemplo) e ocorrem em certas épocas do ano, quando o nosso planeta atravessa uma área no Sistema Solar que possui uma quantidade maior de detritos deixados por cometas ou asteroides.

A chuva de meteoros Alfa Capricornídeas terá seu dia de pico nesta quinta-feira (29) e está prevista a queda de cerca de cinco meteoros por hora. Já a chamada Delta Aquáridas do Sul ocorrerá amanhã, dia 30, e terá em torno de 16 meteoros por hora.

O melhor horário de observação está previsto para entre 22h e 0h30. O ponto de referência para ver as chuvas é o planeta Júpiter, que é o ponto (como se fosse uma estrela) mais brilhante na direção Leste, onde o Sol nasce.

  • Dicas para observar: é preciso procurar um lugar escuro, de preferência longe das grandes cidades para evitar a poluição luminosa. Se tiver familiares no interior vale a pena fazer uma visita. 😉 Também é preciso desligar as luzes em volta para tornar o local ainda mais escuro. Fique confortável numa cadeira e beba café ou uma bebida quente de sua preferência e admire a beleza do universo. O ponto “negativo” é que durante este final de julho temos uma Lua minguante gibosa, que é mais brilhante do que gostaríamos durante uma chuva de meteoros. Isso pode atrapalhar um pouco a observação, mas não a prejudicará por completo, principalmente se você encontrar um céu aberto longe de luzes artificiais.

Mas nem sempre os meteoroides são destruídos por completo e por isso pedaços deles caem na superfície terrestre. Por não serem destruídos totalmente, estes pedaços que sobrevivem se tornam os METEORITOS.

Em termos leigos: os meteoritos são “pedaços sobreviventes” de um meteoroide. Um meteorito é uma rocha que veio do espaço e caiu no solo, sendo possível tocá-la e pegá-la para estudos, se for encontrada. Um meteorito pode gerar um buraco ou cratera no chão. Quanto maior o meteorito, maior o buraco, obviamente. Por ser algo difícil de encontrar, há poucos meteoritos catalogados oficialmente no Brasil. Porém, pelo planeta todo há vários meteoritos catalogados e expostos em vários museus.

CHANCE DE CAIR NOVAMENTE

Como já citado, os meteoritos são “viajantes espaciais” que aterrissaram na Terra. A maioria das rochas que atingem o solo causa pouco estrago por serem pequenas, mas na história da Terra sabemos que houve meteoritos que causaram estragos grandes, como a rocha gigantesca (um asteroide) que causou a extinção em massa de milhões de espécies de plantas e animais terrestres, incluindo os dinossauros, há 66 milhões de anos no período Cretáceo. O local de colisão é a gigantesca cratera de Chicxulub, no México.

Os asteroides são rochas gigantes. Por serem restos do processo de formação dos planetas rochosos, eles podem chegar a centenas de quilômetros e até ter seus próprios satélites naturais (luas). Por isso, o asteroide é o corpo celeste com maior potencial de destruição.

  • Dica: para entender bem o tamanho da destruição que um gigantesco asteroide pode causar, eu recomendo o filme Impacto Profundo. A descrição dele é esta: Um astrônomo-mirim e seu professor acidentalmente descobrem que um cometa com 11 mil metros de diâmetro vai colidir com a Terra, mas um dos descobridores morre em um desastre de automóvel. Após um ano, um repórter tentando investigar um possível escândalo sexual chega à conclusão de que a “amante” é o cometa, que está prestes a se chocar com nosso planeta. Se isto vier a acontecer os danos causados serão incalculáveis e a vida animal e vegetal em pouco tempo deixará de existir. No entanto, uma equipe formada por americanos e russos planeja colocar detonadores nucleares, para fragmentar o cometa e salvar a Terra.

Ocorrências de impactos grandes na Terra são bem raras, mas pode ocorrer novamente ainda hoje, daqui a pouco durante a sua noite de sono, amanhã ou daqui um bom tempo. O nosso Sistema Solar é uma grande “avenida” e alguma rocha gigantesca “desgovernada” pode nos atingir novamente um dia. Os asteroides, assim como os cometas, possuem uma órbita bem definida, mas ela pode ser alterada por causa de interações gravitacionais com outros corpos. Por isso, é fundamental monitorá-los.

Mas é fato que rochas espaciais passam perto da Terra o tempo todo, mas apenas alguns oferecem risco real de colisão em um futuro. Há aproximadamente 2.000 objetos que são monitorados constantemente por especialistas e novas descobertas e estudos são feitas todos os meses. Diversos astrônomos, profissionais e amadores, se dedicam para conseguir prever as aproximações e encontrar maneiras de impedir um evento catastrófico.

Eu fiz uma pesquisa breve e vi que não há registro de que alguma pessoa tenha sido morta devido à queda de meteoritos. Há relatos de que um cachorro teria morrido, infelizmente, em 1911 e de um garoto que foi atingido em Uganda em 1992, porém ele não ficou gravemente ferido. Como a maior parte da superfície terrestre não é habitada por humanos, as rochas espaciais tendem a cair sobre áreas desoladas ou nos oceanos.

FATO RARÍSSIMO

Como Rio Negro e Mafra são cidades “grudadas” como se fossem uma cidade apenas (por isso há a denominação Riomafra), e ambas receberam a “visita” de meteoritos (em 1934 e 1941), podemos concluir que isso é um fato raríssimo e bastante curioso para a astronomia. Afinal, agora sabemos que “um raio não cai no mesmo lugar duas vezes” (isso é apenas um ditado popular, pois pode cair sim), mas meteoritos sim!

ESTUDOS SOBRE OS METEORITOS

Eu não tenho formação em astronomia, mas quem me conhece de longa data sabe que desde criança eu sou apaixonado pelo cosmos. Carl Sagan, por exemplo, é um dos meus ídolos da ciência. E eu sei da importância de estudar sobre tudo que tem como origem o espaço, por isso fui atrás das informações sobre os meteoritos de Rio Negro e Mafra e estou publicando aqui para que todos possam ter conhecimento sobre eles também.

É bastante importante coletar e analisar os meteoritos para compreendermos mais a respeito da formação do nosso Sistema Solar. Os meteoritos possuem alto valor científico e são alvos de pesquisa para astrônomos, geólogos e biólogos. E também para os demais interessados no assunto, como eu e você que continua lendo este artigo. Parabéns por ser uma pessoa que gosta de obter conhecimento. 😉

Este texto é apenas para estimular as pessoas a se aprofundarem no assunto. Fiz de forma leiga mesmo, pois não sou um profissional da área. Há diversos dados técnicos que eu encontrei nas pesquisas, mas não coloquei nesta publicação porque ficaria algo muito longo e muito técnico. Mas os especialistas da área certamente já possuem os dados que são importantíssimos para eles.

Ao estudar um meteorito – que é uma rocha extraterrestre – é possível confirmar se há outros corpos celestes que possuem características semelhantes às da Terra. Analisando a composição de um meteorito é possível compreender sob quais condições o Sistema Solar já esteve. É possível determinar também a idade e composição de diferentes corpos celestes e estimar até mesmo as temperaturas da superfície e no interior de asteroides. Os meteoritos representam alguns dos diversos materiais que formaram planetas há bilhões de anos. Isso é incrível!

Ao pesquisar sobre o Meteorito Rio Negro eu percebi que ele foi e continua sendo objeto de diversos estudos interessantes. Um deles me chamou a atenção. Parte do estudo cita:

Um fragmento lítico, de coloração escura e diâmetro aproximado de 5 mm, foi reconhecido no Meteorito Rio Negro, Brasil, este um condrito rico em gás enquadrado dentro do tipo petrológico L3-4. Esse material contém fragmentos minerais e um côndrulo poiquilítico, assim como olivina (Fa₁-15), ortopiroxênio (Fs₁-25), três tipos de piroxênio cálcico, um silicato ferromagnesiano tentativamente identificado como um filossilicato anidro, além de cromita, kamacita,taenita e troilita.

A matriz, de granulação fina, do fragmento é responsável por sua coloração escura. No condrito hospedeiro, os silicatos de Fe-Mg mostram também composição química variável, conquanto esta esteja situada dentro do campo de variação estabelecido para o grupo L. Comparativamente ao hospedeiro, as razões Fe/Mg das olivinas e dos piroxênios pobres em cálcio do fragmento apresentam menor equilíbrio, a indicar que o fragmento não provém do material hospedeiro, escurecido ou fundido por um metamorfismo de choque, mas que corresponde em realidade a um xenólito. Feições textuais e composição química global e mineral do fragmento são semelhantes às exibidas pelos condritos comuns não-equilibrados e condritos carbonosos do tipo III, embora algumas propriedades sugiram uma associação mais estreita com os meteoritos carbonosos.

Conclui-se que o fragmento foi incorporado ao material hospedeiro do Rio Negro quando este último fazia parte do regolito associado ao corpo parental; conclui-se, também, que o fragmento teria se originado a partir de rochas coexistentes no corpo parental do Rio Negro ou, como alternativa, que ele corresponderia ao produto residual de um projétil que se chocou contra o citado corpo.

Esse e todos os demais estudos sobre o Meteorito Rio Negro provam que o universo é incrível e todo o mistério que envolve ele o torna mais formidável ainda. Vale muito a pena se aprofundar nos estudos!

CENPALEO

Eu também entrei em contato com o Museu da Terra e da Vida do Centro Paleontológico da Universidade do Contestado (CENPALEO), localizado em Mafra-SC. E como sempre fui bem atendido pelo Dr. Luiz Carlos Weinschütz, que me informou que iniciarão uma coleta de dados e informações na região para tentar identificar possíveis fragmentos destes dois meteoritos aqui citados (de 1934 e 1941) e também de outros possíveis meteoritos que já estão em análise.

O Dr. Luiz Carlos Weinschütz também me informou que embora a queda de meteoritos seja relativamente comum, encontrar esses vestígios não é tão fácil assim, já que alguns meteoritos são de fácil reconhecimento, mas a maioria se parece muito com rochas comuns.

O Museu da Terra e da Vida do CENPALEO está passando por uma ampla reforma, onde está prevista a criação de uma sala sobre o universo com a exibição de alguns fragmentos de meteoritos, por isso a colaboração nestas pesquisas veio em boa hora, segundo o doutor, pois poderá enriquecer mais ainda o museu e valorizar a cultura local.

O CENPALEO é um lugar incrível! Vale muito a pena visitar e se encantar. Tem destaque a nível internacional por colaborar com grandes pesquisas. É um centro de pesquisas em paleontologia e tem por objetivo salvaguardar o patrimônio paleontológico e arqueológico de forma geral, promover a pesquisa e a divulgação do conhecimento científico paleoarqueológico, enfatizando o material proveniente da região de Mafra. Acesse o site e saiba mais: www.cenpaleo.unc.br

LEIA NA ÍNTEGRA O RELATÓRIO DO OBSERVATÓRIO DO VATICANO SOBRE O METEORITO RIO NEGRO

In 1940, the spectroscopists Alois Gatterer SJ (1886-1953) and Josef Junkes SJ (1900-1984) published a note in Commentationes Pontificiae Academicae Scientiarum (Memoirs of the Pontifical Academy of Sciences), 4, 191- 223, in German with an abstract in Latin, “Über den Steinmeteoriten von Rio Negro.” Their interest as spectroscopists was purely in determining the chemical nature of the metallic bits in this stone, in order to compare its composition to its emission spectrum; but this work certainly represents one of the earliest attempts to characterize the spectrum of a meteorite.

In their paper, they give a brief introduction of the history of this fall: Am 21. September 1934 wurde um 20 Uhr 30 m. O. Z. bei Rio Negro in Brasilien der Fall eines Meteoriten beobachtet. Es gelang, ein Stück des gefallenen Steinies aufzufinden, das 1310g wog. Davon wurde ein 694 g scherer Teil abgesägt, welchen Rev. P. Chrysostomo Adams O. F. M. in liebenswürdiger Weise dem Astrophysikalischen Laboratorium der Vatikanischen Sternwarte zum Zwecke wissenschaftlicher Untersuchung zur Verfügung stellte.

(“The fall of a meteorite was observed on September 21, 1934, at 8:30 pm local time at Rio Negro, in Brazil. It was possible to find a fragment of the fallen stone that weighed 1310g. A 694g sawn piece was cut from it, which the Reverend Father Chrysostom Adams O. F. M. kindly put at the disposal of the Vatican Observatory’s astrophysical laboratory for scientific research.”)

Rio Negro is a fairly common name in Brazil, most notably a well known tributary of the Amazon; however, other sources from the 1940’s list the meteorite as coming from a small town in the Brazilian state of Paraná, quite some distance from this river. Fr. Andrew Whitman SJ, a mathematician at the Specola today who lived and worked for many years in Brazil, has asked about this meteorite among his friends there. José Pio, a retired corporate executive who now volunteers with Jesuit works for the poor in Brazil, confirms this meteorite is indeed from a small town in Paraná actually named Rio Negra (Black Woman River), nowhere near the more famous Rio Negro (Black River). Apparently the Germans at the Specola either misread the name, or perhaps it was misspelled in the letter they received. In any event, the name Rio Negro has stuck for this meteorite, and it’s probably pointless to try to change it now.

In addition, Mr. Pio noted that the meteorite was originally called Pendengo by the locals. This Portuguese word is perhaps best translated as “imbroglio,” the sort of loud, abusive argument that can lead to a fistfight.

The letter from Fr. Adams mentioned in the Gatterer and Junkes paper cannot be found in the Vatican Observatory archives, unfortunately, nor is there any record of precisely when the meteorite arrived here. That probably occurred after 1936, when the spectrochemical laboratory started operations. Upon its arrival, the meteorite was photographed and its density was measured (3.5 g/cm3) by immersion into water.

The critical issue to Gatterer and Junkes at that time was interpreting the complex emission lines of stars, and to that end they had set up a spectrochemical laboratory to produce a detailed catalogue of spectral lines for pure metals. The metal in a meteorite was, to them, a sample from a star which could be compared against their catalogues, to see just how accurately emission spectra could characterize the chemical composition of a star. Indeed, they originally were inspired to create their spectrochemical laboratory by the presence of the de Mauroy meteorite collection, hoping to take emission spectra of many of the samples present.

For studying Rio Negro, a 4.23g piece was chipped off the meteorite, powdered, and separated with a magnet; part of the magnetic sample was partly analyzed by wet chemistry, and the rest put into the spark emission spectrometer. At the same time, a sample of Lanzenkirchen (like Rio Negro, an L4; it fell in Austria in 1925) was also measured by wet chemistry, and a spectrum of a piece of Albareto (an L4 fall from 1766) was also taken. (These other meteorites must have been borrowed from outside institutions, as the Vatican collection has neither.) They found that all analyses agreed to within ten percent, a spread which they noted could merely reflect variations within the meteorites themselves.

In 1966, a sample of Rio Negro was sent to Wänke and Wlotzka at the Max-Planck-Institut in Mainz for U, Th, and K measurements. But it is unclear which piece was sent, or how much was used.

The history of the stone since that time is unclear. It appears that some 600g still remains somewhere in Brazil. Of the 694g sample sent to the Vatican, three stones with a total mass of 517g remained by the time of the 1957 catalogue, and the rest had been traded to the Smithsonian as part of a multiple-meteorite deal. The largest piece at that time, 389g, still remains in our collection; by 1986, however, it was the only piece left. The fate of the other two stones (128g total mass) is unknown.

One last story can serve to illustrate the sorts of problems that occur when a large meteorite collection is not continually cared for. In 1993, upon my arrival at the Vatican Observatory, I undertook an inventory of the collection, and I discovered a number of our largest samples were gone. Among the missing was this main mass of Rio Negro. Digging through the various scraps of paper that served as our records proved fruitless; the meteorites had simply disappeared.

Then, in 1998, attending the Meteoritical Society meeting in Dublin, I chanced to hear a presentation by Giuseppe Bonino, discussing his delicate measurements of cosmogenic radionuclides in a number of stones. The list of meteorites he had measured sounded strangely familiar; and the presence of Rio Negro among them sealed the issue. I quickly sought him out after his talk, and confirmed that indeed he had been loaned these meteorites in 1992. But no one at the Vatican Observatory had thought to leave a paper trail of this loan!

I was delighted to visit Turin later that year and see both Bonino’s impressive laboratory (in a complex of tunnels under a hill beneath a Capuchin monastery) and the “missing” Vatican meteorites. They have since been restored to our collection.

Deixe o seu comentário