Há fotos antigas de Rio Negro-PR que geram muita curiosidade sobre a história do município.
Nas imagens desta publicação é possível observar uma suástica estampada em uma bomba de combustível que ficava no Centro da cidade, bem próximo do prédio do antigo Fórum de Justiça e da praça da Paróquia Senhor Bom Jesus da Coluna. Há uma história interessante sobre elas.
A SUÁSTICA
A cruz suástica é um símbolo que foi utilizado pelos nazistas, então é algo polêmico atualmente. Em muitos países, incluindo o Brasil (Lei nº 7.716/1989) e a Alemanha, o uso deste símbolo é proibido nos dias atuais.
Eu não vou citar aqui toda a história da origem da suástica, pois não é o foco da publicação, mas vale a pena o leitor realizar uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema.
Antes de Adolf Hitler torná-la o elemento central da bandeira nazista, a suástica já era um símbolo milenar utilizado há mais de cinco mil anos. Ela significa sorte e bem-estar em sociedades antigas, incluindo as da Índia, China, África, Américas e Europa.
Empresas como a Carlsberg, Coca-Cola e a Shell utilizaram a suástica em campanhas publicitárias antes da ascensão do Partido Nazista na Alemanha, o que explica o símbolo no Centro de Rio Negro.
USO DO SÍMBOLO PELOS NAZISTAS
A bandeira nazista foi desenhada em 1920 por Adolf Hitler, que combinou a suástica com as três cores da bandeira imperial alemã (vermelho, preto e branco).
Com isso houve a apropriação da suástica como símbolo nazista (com pequenas alterações), que em 1935 passou a ser utilizado oficialmente como símbolo oficial do Estado alemão, sob a ditadura da Alemanha Nazista.
Além do Partido Nazista, após a Primeira Guerra Mundial diversos movimentos nacionalistas de extrema-direita da Alemanha adotaram a suástica, que foi relacionada à ideia de um Estado racialmente “puro”.
Mas as conotações da suástica mudaram para sempre quando os nazistas assumiram o controle da Alemanha. O símbolo passou a ser um sinônimo de fascismo. E a partir do momento que o mundo percebeu que o nazismo praticava atrocidades, o uso da suástica – como símbolo milenar de sorte e bem-estar – foi deixado de lado por aqueles que eram contra as ações de Hitler.
USO “ACEITÁVEL” DO SÍMBOLO
É importante eu ressaltar que manter contato ou praticar algo alusivo ao nazismo foi considerado normal ou aceitável no Brasil por um bom tempo.
Durante dez anos, entre 1928 e 1938, o Partido Nazista no Brasil operou de forma legal e disseminou livremente ideais totalitários e antissemitas por meio de jornais, eventos e até em escolas da comunidade alemã sem qualquer tipo de censura da parte do governo brasileiro. O Partido Nazista apenas se tornou alvo de investigação e controle e foi finalmente proibido no país em 1938.
A proibição apenas ocorreu quando a existência deste partido entrou em confronto com as diretrizes nacionais que proibiam atividades políticas estrangeiras, entre outros fatores. Portanto, até 1938 ainda era possível visualizar no Brasil símbolos, saudações e bandeiras relacionadas ao nazismo.
A SUÁSTICA EM RIO NEGRO
Uma foto tirada no dia 29 de novembro de 1936 no Estádio General Osório de Rio Negro (popular “campo do Exército”) mostra a presença de uma bandeira nazista na arquibancada durante um evento esportivo.

Todavia, a suástica estampada na bomba de combustível no Centro de Rio Negro correspondia ao antigo símbolo da empresa The Anglo Mexican Petroleum Company Limited (Shell).
Não havia nenhuma relação da “Shell” com o Partido Nazista, pois este era o símbolo da distribuidora antes da empresa adotar a atual concha.
A bomba também tinha estampada o nome Energina, que era uma marca famosa de gasolina da empresa.
As fotos de Rio Negro são das décadas de 1920 e 1930. É possível observar que a bomba de combustível teve uma mudança no visual com o passar dos anos.

SURGIMENTO DA CONCHA
A Shell está presente no Brasil desde 1913. Ela se expandiu na década de 1920. Em 1922 foram inauguradas as primeiras bombas de gasolina em ruas de capitais e cidades do interior, e também ao longo de rodovias.
Rio Negro teve pelo menos uma dessas bombas da Shell. Outras fotos históricas mostram a presença de outras marcas importantes em Rio Negro, como a Esso.
A empresa The Anglo Mexican Petroleum Company Limited não era simpatizante do nazismo, por isso ela resolveu alterar a logo em 1933 para a atual concha (que depois foi aprimorada).

Concha em inglês é “Shell”, desta forma surgiu o nome comercial que passou a ser conhecido mundialmente.
Recortes de jornais mostram anúncios da petrolífera Shell quando ela ainda utilizava a suástica.

Fontes da pesquisa: Sites Holocaust Encyclopedia, Tok de História e Aventuras na História. As fotos históricas são do Arquivo Público Municipal Maria da Glória Foohs. Agradeço à amiga e professora Vivian Dutra Kogg por ter me lembrado dessas fotos interessantes e por ter me incentivado a pesquisar mais a respeito.



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